Telefónica desenvolve um
clone da Telemar na Banda A

A Telefónica de España está muito perto de ter a sua própria Telemar. No caso, guardadas as devidas proporções, uma réplica da empresa e do seu vasto domínio territorial, desta vez na telefonia celular. Os espanhóis estariam, enfim, acertando a compra da participação da Iberdrola na Tele Leste Celular. O negócio ficaria entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões. Sacramentada a aquisição, assumiriam, sozinhos, o controle da operadora da Banda A, que engloba a Telebahia e a Telergipe. Ato contínuo, o plano seria juntá-la à Tele Sudeste Celular, que atua no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Com isso, a Telefónica controlaria uma das maiores concessionárias de telefonia celular do país, e não apenas em extensão. A nova empresa estaria presente em quatro estados contíguos, teria um faturamento perto de R$ 2,5 bilhões e algo em torno de três milhões de clientes. Para se ter uma idéia do que isso representa, a Telesp Celular tem uma receita anual de R$ 2,7 bilhões, apenas com uma diferença maior no número de linhas: 3,4 milhões. Antes de uma fusão entre as duas empresas, o mais provável é que a Telefónica repita na Tele Leste Celular a operação realizada na Tele Sudeste. Ao comprar as ações da Iberdrola, o grupo estará, na verdade, ficando com 100% da Iberoleste, o consórcio que controla a Tele Leste. Porém, não terá mais do que 20% das ações da companhia. O caminho natural seria uma recompra de ações da Telebahia e da Telergipe e, posteriormente, uma troca de papéis com a holding, a Tele Leste. Algo que lhe permitisse alcançar alguma coisa entre 30% e 40% da companhia. Quanto maior a quantidade de ações da empresa que carregar debaixo do braço e, conseqüentemente, menor a trupe de minoritários que tiver pela frente, mais descomplicada será a eventual fusão entre a Tele Leste e a Tele Sudeste.

relatório nº 1502-23/10/2000

 

 

 

Duro na queda

O controlador da Fabrimar, Fausto Martins - um dos acionistas da White Martins - resiste, bravamente, ao canto da sereia. Recentemente, teria recusado duas ofertas firmes de grupos internacionais.

• Mesmo após levar a Aços Villares, a Sidenor segue recorrendo aos serviços de consultoria de um ex-figurão do governo FHC e grande conhecedor da empresa.

Tomou Doril

Onde está toda aquela sanha varejista que o Lloyds tanto alardeou para o Brasil? Agora, o banco estaria desmobilizando a equipe formada para avaliar o Besc.

• Javier Villar, presidente da Cerj, deverá seguir o rumo do Nordeste e assumir a direção da Coelba.

Bombardeio

Para quem gosta de lavação de roupa suja em público, atenção no discurso de despedida do brigadeiro Mauro Gandra do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas.

• O BC busca uma fórmula contábil para converter algumas dívidas do BEM em convidativos créditos fiscais.

Atacado

A Mitsubishi está vendendo um pacotão de equipamentos para exploração e produção de petróleo no país.

• A alemã Eon é candidata ao leilão da Copel Geração.

• O diretor-presidente da Tupy, Mário Egerland, procurou o RR para esclarecer que inexistem problemas nas relações com Previ, Telos e Aerus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Preço da nafta permanece órfão de pai e mãe

Afinal de contas, alguém pode responder quem é o responsável por equacionar a arbitragem do preço da nafta? O problema é que o intenso jogo de empurra entre várias esferas do governo vem criando um vácuo em torno da decisão do assunto e transformando o tema - a princípio, meramente técnico - em uma questão política. O ministro Rodolpho Tourinho (PFL) não assumiu a responsabilidade e passou a bola para os presidentes da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, e da ANP, David Zylbersztajn, mas os dois tucanos rebateram de primeira e jogaram a bola para o mato. Sabe-se que o próprio ministro Rodolpho Tourinho andou tentando empurrar o assunto para o colo do senador Antônio Carlos Magalhães. E tem gente querendo que até o PT, de Olívio Dutra, entre na conversa devido ao envolvimento do Pólo Petroquímico do Rio Grande do Sul. Até agora, no entanto, ninguém assume a paternidade pela decisão do assunto.

NKK traz seu tubo de ensaio para o Brasil

A japonesa NKK Tubes - que comprou parte da argentina Siderca, controladora da Confab - está desembarcando em solo brasileiro. E, logo de cara, já tem uma série de escalas programadas no país. A primeira delas é uma negociação com a francesa Totalfinaelf para a construção de ramais e a expansão do gasoduto de Uruguaiana, que transportará gás da Argentina para o Rio Grande do Sul. O acordo passaria pela entrada no capital do negócio e pelo fornecimento de tubos de aço sem costura. Participará ainda da construção de ramais para levar o gás do Bolívia-Brasil até termelétricas que serão construídas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Estas operações serão uma espécie de tira-gosto, um teste no Brasil. Se conseguir ganhar um significativo mercado na América Latina, a NKK pensa até em construir fábricas por estas bandas. A NKK também já manteve entendimentos com a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil, com a intenção de participar da implantação de ramais do gasoduto no Mato Grosso do Sul e no Rio de Janeiro. O grande trunfo do grupo japonês no país é a parceria societária com a Confab. Afinal, é provável que, neste primeiro momento, o fabricante brasileiro forneça suporte fabril para todos estes projetos.