MCI promove o racha dos
minoritários yankees na Embratel

Quanto mais o presidente da CVM, José Luís Osório, reza pela cartilha da boa governança corporativa, mais assombração societária lhe aparece. Só para variar, mais um embate entre minoritários e controladores está prestes a cair no colo da entidade. Desta vez, a contenda envolve a Embratel. Os acionistas estrangeirosda empresa - notadamente os fundos norte-americanos - estão juntando munição para entrar com um processo na CVM contra a MCI, controladora da companhia. Vão contestar a decisão do grupo de trazer para o Brasil a UUNet, seu braço voltado para a transmissão de dados via Internet. Na prática, a empresa poderá se transformar em um concorrente da própria Embratel, esvaziando o resultado da operadora. O maior argumento dos acionistas é a reação instantânea do mercado à operação. Em menos de um mês, as ações da Embratel caíram de R$ 45 para cerca de R$ 30. A debandada dos investidores foi encorajada pelos relatórios do Credit Lyonnais e do Credit Suisse, datados, respectivamente, de 14 e 29 de setembro. Ambos afirmam que a vinda da UUNet configura um conflito de interesses com a Embratel, com impacto negativo sobre o desempenho da companhia. A briga promete. Quando se fala de minoritários da Embratel, não se trata dos minoritários raquíticos locais - exceção feita, é claro, à turma das fundações -, mas fundos e tesourarias dos principais bancos internacionais. Há razões que justificam o temor dos acionistas da Embratel. Até o momento, a MCI ainda não definiu uma estratégia clara para atuação da empresa na transmissão de dados. Com a chegada da UUNet, é provável que nunca venha a fazê-lo. Nada impede os americanos de concentrar os negócios desta área exclusivamente dentro de casa. Ao contrário da Embratel, da qual detém só 20%, a MCI controla os 100% da UUNet. Portanto, não precisaria dividir os lucros com ninguém. É aí, no entendimento dos minoritários, que mora o perigo. Hoje, a transmissão de dados é um dos itens que mais crescem no faturamento da Embratel. No ano passado, representava 18% da receita. Hoje, são cerca de 22%, ou o equivalente a mais de R$ 1,5 bilhão por ano. Da noite para o dia, estes recursos poderão ser deletados do balanço da empresa.

relatório nº 1499 -18/10/2000< /font>

 

 

 

• Jorge Paulo Lemann estuda duas ofertas firmes de fundos americanos que querem dar uma beliscada no Americanas.com...

• O mais forte candidato é um dos maiores investidores em Internet dos Estados Unidos, com mais de US$ 50 bilhões em ativos...

• O fundo já teria manifestado interesse de comprar cerca de 20% do capital do site de vendas das Lojas Americanas.

Barata voa

Cotado para assumir o comando da BCP, o vice-presidente da empresa, Michel Levy, pediu as contas e está deixando a companhia.

• Rifada da disputa pelo terminal de contêineres do Porto de Suape, a belga Katoen Natie, promete melar o leilão na Justiça.

Em cima do muro

A Iberdrola não suporta mais negociar com o presidente da Previ, Luiz Tarquínio Sardinha. De uma hora para outra, a fundação desistiu de vender suas ações na Guaraniana. Acha que a Endesa, que está assumindo a Iberdrola, poderá pagar bem mais.

Pré-natal

A Telefónica carrega no ventre o projeto de trazer para o Brasil seu braço de TV a cabo, a Telefónica Media. Aguarda apenas a liberação do capital estrangeiro no setor para dar à luz o rebento.

• A Nextel busca um sócio para o leilão das Bandas D e E. Tirando a área de São Paulo, topa qualquer negócio.

Petrobras leva um novo cano da Marítima

Vem aí mais um round no embate jurídico entre a Petrobras e a Marítima. Desta vez, o motivo da discórdia são outras duas encomendas feitas pela estatal: a construção das plataformas P-36 e P-40. Pelo contrato, os equipamentos teriam que ser entregues até setembro. Porém, a Marítima não apenas atrasou a liberação das plataformas como não teria dado qualquer prazo para a Petrobras. Ressalte-se que, antes de acionar mais uma vez a fabricante de equipamentos na Justiça, o próprio presidente da estatal, Henri Phillipe Reichstul, tentou um último acordo com o empresário German Efromovich. Reichstul enviou, no mês passado, dois executivos da Petrobras a Cingapura para ver in loco o andamento da construção das plataformas. De posse do relatório, apresentou a Efromovich uma lista de exigências para que fosse feito um novo cronograma de entrega da encomenda. O empresário não aceitou. Na ação que vai impetrar na Justiça, a Petrobras pedirá o ressarcimento das eventuais perdas provocadas pelo não-cumprimento do contrato. Porém, independentemente do andamento do processo, a estatal já teria decidido que não vai mais aceitar a entrega das plataformas. Em prazo nenhum, diga-se de passagem. Reichstul autorizou o diretor de Exploração e Produção, José Coutinho Barbosa, a negociar no mercado o aluguel de plataformas, além de procurar parcerias com petroleiras interessadas em investir na exploração e produção e ainda fornecer os equipamentos.

Câmara de gás

Um notório integrante do governo, subordinado à pasta do desenvolvimento e voltado para o comércio exterior, vive um inferno particular. Motivo: irregularidades em empréstimos obtidos junto ao BB.

Divisão de contas

O presidente mundial da sueca Wilson Logistics, Henrik von Sydov, deu sinal verde para que a subsidiária brasileira corra atrás de um sócio. O objetivo é dividir os investimentos no portal de logística que mantém no Brasil. Até agora, os US$ 40 milhões injetados no negócio saíram só do caixa da empresa.