Chrysler rouba a cena
no duelo caseiro com a Mercedes

O presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Ben Van Schaik, deve nutrir, em certos momentos, uma ponta de inveja em relação a seu colega Dennis B. Kelly, o comandante nacional da Chrysler, também subsidiária do grupo Daimler. Afinal, ao contrário da sua empresa, que vem enfrentando um percurso acidentado, a trajetória da Chrysler no país tem sido bem mais suave, sem um décimo dos problemas operacionais e comerciais enfrentados por sua irmã xifópaga. Resultado: a Daimler decidiu aumentar suas apostas na operação da Chrysler no Brasil. Já autorizou a produção, na fábrica de Campo Largo, de um segundo modelo, um veículo exclusivo do mercado americano. Pretende ainda duplicar os investimentos na unidade. E deve determinar que a subsidiária importe novos veículos para serem comercializados no mercado interno. Trata-se de um teste. Dependendo da sua aceitação, a fábrica paranaense será ampliada para iniciar a produção. Isto significará uma carga extra de recursos para a Chrysler. A execução desta estratégia deverá ficar a cargo de Ben Van Schaik, homem de confiança do presidente mundial da Mercedes, Jurgen Schremp. A Daimler já teria decidido que, até 2001, a Mercedes incorpora a operação brasileira da Chrysler. Com isso, é bem provável que Dennis Kelly volte para a matriz. O mais curioso desta história é que, mesmo que seja por um rápido período - até porque é de se esperar que a Daimler não deixe o seu maior negócio mundial comer poeira por muito tempo - a montadora americana conseguiu roubar o papel de protagonista reservado para a Mercedes no Brasil. A relação custo/benefício da Chrysler no país está centenas de milhas à frente. Quando incorporou mundialmente a empresa americana, o grupo Daimler herdou a fábrica brasileira, que já estava construída. Portanto, não gastou um único marco no projeto. No caso da unidade da Mercedes em Minas Gerais, contudo, os US$ 700 milhões em investimentos saíram dos seus cofres. E hoje, a planta não produz um terço dos 70 mil veículos mensais para que foi projetada.

relatório nº 1497 - 13/10/2000

 

 

 

• O Grupo Macri tem planos de fechar o capital da Chapecó tão logo compre a parte dos fundos de pensão na empresa.

• O leilão da linha de transmissão Curitiba-São Paulo é o próximo alvo das espanholas Schneider Electric e Elecnor no Brasil.

• A Previ entregou à UBS a tarefa de reestruturar a sua carteira de participações em companhias do setor elétrico.

Fogo cruzado

Interferência tem limite. O presidente da Fundição Tupy, Mário Egerland, estaria muito incomodado com as picuinhas entre os fundos de pensão que controlam a empresa. As fundações vivem metendo o bedelho na gestão.

 

• Tem gente graúda em Brasília trabalhando pela volta de Andrea Calabi ao BB.

Patrícios

O recém-ressuscitado empresário Girsz Aronson está desconfiado de que um velho concorrente do varejo anda espalhando maledicências a seu respeito junto a alguns bancos. A injuriosa cruzada estaria rendendo a Aronson ainda mais dificuldades para a obtenção de crédito.

• Inspira cuidados a situação de uma empresa de medicina de grupo de São Paulo que tem sua imagem intimamente ligada ao futebol.

 

Cardápio variado

A National Iranian Oil está enviando para o Brasil uma missão de executivos. A agenda da visita é a mais variada: saber da ANP quando serão as próximas rodadas de licitações; negociar participações em áreas já exploradas e conversar com a Petrobras sobre parcerias internacionais.

Asas abertas

Ávido por aumentar sua presença no Paraná, o Sonae estaria de olho bem gordo para cima dos Supermercados Condor.

Combustão

Gás não vai faltar à operação brasileira da Pan American Energy. O grupo está fechando com a Gás Brasiliano - leia-se Agip - um acordo para fornecimento de combustível vindo da Bolívia.

 

 

Inepar é um pote até aqui de sócios

O empresário Atilano Oms Sobrinho tornou-se mesmo um dos maiores defensores da máxima "dividir para governar". Ou, no caso da Inepar, dividir para manter a capacidade de investimento e o fôlego de determinados negócios. A mais nova operação do grupo a fazer parte desta política é a fábrica de equipamentos industriais de Araraquara, São Paulo. A Inepar está estabelecendo joint ventures com sócios internacionais em cada uma das seis linhas de montagem que ocupam os 140 mil metros quadrados da planta. Neste momento, está negociando um acordo com a General Motors. A parceria permitirá a conversão da linha de montagem de equipamentos metroferroviários em uma fábrica de locomotivas. Mas este não será o primeiro matrimônio societário. A Inepar já fechou um acordo com outra General, a Electric, para a fabricação de turbinas e geradores hidráu-licos. Juntas criaram a GE Hydro Inepar, que fornecerá para as subsidiárias da multinacional em todo o mundo. Inepar e GE deverão aportar cerca de R$ 50 milhões na empresa, que se destinarão a atender uma primeira leva de encomendas para Pequenas Centrais Hidrelétricas e outras de médio porte. Em outro front, a fabricação de equipamentos para exploração e produção de petróleo, o novo parceiro da Inepar é a Lawson & Haug, da Noruega. Ambas fornecerão as chamadas árvores de natal à Petrobras e outras petroleiras do Mercosul. Mas não é só. A Inepar já estaria negociando parcerias para as três linhas restantes da fábrica: as de equipamentos siderúrgicos, estruturas metálicas e pontes-rolantes para movimentação de materiais.