EDP manda Thames Water
mais cedo para o chuveiro

A paciência da EDP com a Thames Water secou de uma vez por todas. Os portugueses aplicaram um cartão vermelho no grupo inglês e estão desfazendo a joint venture firmada entre ambos para a disputa dos leilões na área de saneamento. Já não é de hoje que a EDP estava incomodada com a morosidade com que sua ex-parceira vinha tocando seus negócios no Brasil. Até agora, a dupla ainda não comprou sequer um carro-pipa. Segundo os portugueses não há outro motivo ou explicação, senão a letargia britânica. A Thames Water não definiu, por exemplo, uma estratégia clara para a privatização da baiana Embasa, a próxima da fila nos leilões estaduais. Além disso, a EDP não sabia nem mesmo com quem tratar dos interesses em comum. O diretor da Thames no Brasil, Emílio Gabbrielli, está arrumando as malas com destino a Londres e ainda não há qualquer fumaça de quem será o seu substituto. E para completar, o controle da empresa ainda está sendo vendido para a alemã RWE, o que torna a sua presença no Brasil uma incógnita ainda maior. Por isso, a EDP decidiu pegar o seu chapéu e seguir outros rumos. Neste momento, está negociando a compra de um terço do capital da Águas de Portugal. Será através dela que o grupo participará dos leilões no Brasil. Pode até se dizer que, para a EDP, a possibilidade de mudança no controle da Thames Water caiu como uma refrescante chuva de verão. Era o argumento que faltava para o grupo rasgar o acordo feito com os britânicos. A grande razão para o marasmo operacional da dupla foi a tática adotada pela Thames Water. A companhia decidiu esperar pela definição do cronograma de privatização das empresas estaduais para fazer qualquer investimento no país. O problema é que o tempo foi passando e o calendário dos leilões nunca foi divulgado. Além disso, na única concessão de médio porte já privatizada - a Manaus Saneamento - a dobradinha ficou de fora. Com isso, a EDP, que já queria ter entrado em negócios paralelos, como tratamento industrial de resíduos e a terceirização de plantas - operação em que assume toda a gestão dos líquidos utilizados em uma fábrica - ficou com as mãos amarradas. Agora, sozinhos e livres para voar, os portugueses se preparam não apenas para o leilão da Embasa como também para o da capixaba Cesan. Com relação à Thames Water, paira um gigantesco ponto de interrogação sobre o seu futuro no país. Aquela que era considerada uma forte candidata às privatizações pode até mesmo sair de cena sem, na verdade, jamais ter entrado de fato. Tudo vai depender da decisão da RWE. Na teoria, a troca de controle seria capaz até de transformá-la em uma concorrente muito mais atrevida, já que os alemães têm maior fôlego financeiro. Porém, ainda é cedo para se dizer que depois de pagar US$ 6 bilhões para comprar a Thames Water e ainda assumir quase US$ 3,5 bilhões em dívidas, a RWE vá pensar, sobretudo no curto prazo, em despejar um rio de dinheiro no Brasil.

relatório nº 1488 -2/10/2000

 

 

 

Missão impossível

Uma ingrata tarefa espera por Herman Koff, diretor da Varig, que assume, em novembro, a presidência do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas: conseguir que o governo ouça as propostas das companhias para a Agência Nacional de Aviação. Porém, ele parece escolado em árduas missões: já angariou o apoio da TAM, que tentou indicar o presidente do Snea.

• A saga da família Villares à frente da sua siderúrgica vai conhecer seu ponto final. O clã também negociará com a Sidenor suas ações na Aços Villares que estavam fora do bloco de controle.

Contracapa

Por trás da profissionalização da gestão da Siciliano, está a mão do Darby Overseas, dono de 35% da empresa. A saída de Oswaldo Siciliano Jr. do comando do negócio, teria sido, digamos assim, uma reivindicação do fundo para continuar colocando dinheiro na companhia.

Jogo de cena

Não passa de dissimulação quando a Deutsche Telekom diz não saber se entrará nas Bandas C, D e E. O grupo acertou com a Nokia um contrato de fornecimento de tecnologia e equipamentos.

• Chega a ser constrangedora a insistência com que alguns amigos comuns de FHC e Eduardo Azeredo vêm tentando emplacar o ex-governador mineiro em uma das empresas do BB.

Tipo exportação

A Volkswagen deu mais um passo para transformar a fábrica de caminhões de Resende em um centro exportador. Está acertando com a belga Katoen Natie a logística do escoamento da produção.

• A provável fusão entre Iberdrola e Endesa causou calafrios na Telefónica. Isto porque as negociações para compra da parte da Iberdrola na Tele Leste Celular estão cada vez mais complicadas. Como não sabe se a Endesa terá o mesmo interesse em se desfazer do negócio, a Telefónica deverá elevar sua oferta para agilizar a operação.

• A CEEE vai unir a sua rede de fibra óptica à de uma concessionária de rodovias que opera no Rio Grande do Sul.

Aliança francesa

O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, tem praticado bastante o francês nos últimos dias. É ele quem vem conduzindo diretamente as negociações para uma nova parceria com a TotalFinaElf em torno de alguns blocos na Bacia de Campos. Inicialmente, o negócio é na base do fifty to fifty, mas os franceses querem mais. Pretendem assegurar no acordo uma opção de compra de um outro lote de ações, que seria exercida assim que a produção de petróleo tivesse início.

 

Honra ao mérito

Se depender do Ministério de Minas e Energia, o banco americano Taylor-Dejongh ainda será condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Em tempos de ameaça constante de falta de energia, financia a construção da termelétrica de Seival e agora vai bancar uma outra usina, também no Rio Grande do Sul.