Repsol corre por fora na
disputa pelo controle da Comgás

Neste momento, são intensas as negociações entre a Repsol e a British Gas. Os espanhóis estão conversando diretamente com David Varney, chief executive do grupo inglês, em torno da compra dos 72% da BG na Comgás. A Repsol já aceitou a principal condição para a operação: adquirir, de uma vez só, todas as ações e pagar cash pelo negócio, que chegaria a US$ 500 milhões. É aconselhável não duvidar do poder de fogo hispânico. A Repsol sabe que o negócio vale cada centavo. Afinal, a entrada na Comgás é o alicerce de toda uma estratégia já formulada para o mercado brasileiro. Fechada a negociação, a companhia partiria para um swap de ações com os seus conterrâneos da Gas Natural, que controlam a CEG, do Rio de Janeiro, e a concessão da Área Sul de São Paulo. A Comgás passaria, então, a ser a trincheira do grupo para novos investimentos em distribuição, incluindo a disputa pela compra da paranaense Compagás e de, pelo menos, duas distribuidoras de gás no Nordeste. E os planos da Repsol não param por aí. Além da compra das ações da British Gas na Comgás, os espanhóis estão envolvidos em outras duas operações - ambas junto à Enron - igualmente importantes para as suas intenções no país. Uma é a aquisição dos 24,5% da Gaspart, subsidiária do grupo americano, na Compagás. Trata-se de um bloco de ações que foi vendido antes da privatização integral da empresa. A outra é a compra dos 45% da Enron na CEG. Neste caso, a Repsol está enfrentando a concorrência da também espanhola Iberdrola. Fechando esta fileira de negócios, o grupo controlaria simplesmente as maiores distribuidoras de gás nos dois principais mercados do país: Rio e São Paulo. De quebra, ainda estenderia seus domínios até o Paraná, o que lhe permitiria, ao operar em três estados contíguos, notórios ganhos de escala. Diante de tantas ambições, entende-se o fervor com que a Repsol vem encarando a disputa pela parte da British Gas na Comgás. Os espanhóis entraram atropelando os demais acionistas da empresa, Petrobras e Shell, que têm direito de preferência sobre as ações da BG. A Shell, que tem 23% da Comgás, também chegou a iniciar entendimentos com a BG para aumentar a sua presença na empresa. O grupo anglo-holandês queria comprar apenas um pedaço da participação dos ingleses e pagar uma parte através de troca de ações. A British Gas, no entanto, condicionou a operação à venda integral e ao pagamento em dinheiro. Desde então, a Shell vem postergando uma resposta. Talvez não contasse com a impetuosa aparição da Repsol. Agora, a Shell estaria abandonando o ar blasé e cuidando da questão com mais afinco, inclusive articulando algumas parcerias para comprar, em conjunto, a parte da British Gas. Posteriormente, ficaria apenas com mais 23% da companhia. Afinal, a sociedade com a Repsol tem tudo para lhe trazer sérios problemas. Com 72% das ações e cheia de planos na bagagem, dificilmente os espanhóis chegariam com o espírito aberto a compartilhar a gestão da empresa.

relatório nº 1486 -28/09/2000< /font>

 

 

 

Tela quente

Os mais novos planos da RBS, do empresário Nelson Sirotsky, incluem um projeto de expansão geopolítica, digamos assim, na área de TV aberta. O único senão é que a empreitada exigirá literalmente uma rasteira na concorrência.

Acefalia

Depois de um longo jejum nos leilões de energia, a inglesa National Power voltará à cena na privatização da Copel geradora.

Camuflagem

O Sonae quer voar mais alto no varejo do Paraná. Para isto, poderá pegar uma carona nas asas da Condor, uma das maiores redes do estado, com faturamento de R$ 250 milhões anuais.

Mesa-redonda

Além da PSN, a Hicks, Muse pretende lançar mais um canal de TV por assinatura na área de esportes, desta vez ao lado de um sócio brasileiro. Quem vem dando tratos à bola neste projeto é o uruguaio Roberto Muller, ex-presidente da Reebok e hoje dono da Muller Sports Group, parceira do fundo americano.

• Quem quiser vender unidades de esmagamento de soja no país é só procurar a Cargill. O grupo já separou uma bolada para investir ainda mais nesta área.

Conta-gotas

Aos poucos, a Inepar vai abrindo as portas das suas empresas para sócios estratégicos. Agora, negocia uma associação com uma companhia americana em torno da fábrica de locomotivas que está montando em Araraquara, São Paulo.

• A Muhr und Bender - fabricante alemã de autopeças - está chegando ao Brasil. Para início de conversa, deve garantir uma, sempre bem-vinda, parceria com a Volkswagen.

Mercado futuro

O Banespa parece a viúva Porcina, aquela que era, sem nunca ter sido. Antes mesmo de ser privatizado, já se cogita o nome do seu futuro presidente. Dois bancos estrangeiros, notórios concorrentes no leilão, disputam o passe de Elvaristo do Amaral, atualmente pilotando o Meridional/Santander. Elvaristo, contudo, já emitiu sinais de que está muito bem onde está. Em tempo: nenhuma das duas instituições é o próprio Santander, também interessado no Banespa.

Água mole...

De tanto insistir, quem sabe, o empresário Carlo Sola não convence o BB a acompanhá-lo no aumento de capital dos Frigoríficos Sola? Dono de 23% da empresa, o banco não estaria disposto a encarar a capitalização.

• O presidente da Funcef, Edo Ferreira de Freitas, já orientou a sua diretoria a criar, até o fim do ano, um fundo específico para a área de agribusiness.