Andrade Gutierrez enfrenta
crise da segunda geração

Bons tempos aqueles em que os Andrade e os Gutierrez eram quase um só sobrenome e chegava a ser difícil distinguir quem era quem, tamanha a afinidade no modo de pensar. A realidade, contudo, não ancora no porto dos mais doces momentos. A empreiteira, a exemplo de tantos, não conseguiu passar imune ao choque de culturas que vem afligindo o processo sucessório nas corporações de controle familiar. Hoje, os Andrade já não são tão Gutierrez quanto no passado. E vice-versa. A gestão da empresa está dividida em uma disputa cada vez mais acirrada. Sérgio Andrade defende ardorosamente a manutenção da entrada da companhia em outras atividades. Já seus sócios resistem à diversificação. A personificação da antítese de Sérgio é Roberto Gutierrez, um dos filhos de Flávio, fundador da empresa. Um bloco formado basicamente por engenheiros, à frente dos quais está Eduardo Andrade, primo de Sérgio, também seria contrário a esta estratégia expansionista. Neste momento, dois pomos da discórdia seriam as negociações com a Vivendi para formar uma joint venture e participar das privatizações na área de saneamento e os estudos para os leilões da Banda C, ambos conduzidos diretamente por Sérgio Andrade. Quem tem levado nítida vantagem nesta colisão de interesses é Sérgio Andrade. Para começar, ele tem um trunfo que o distingue dos demais acionistas. Entre os herdeiros do grupo é o único que detém sozinho 33% das ações. Os filhos de Roberto Gutierrez controlam, individualmente, 11%. Já entre os descendentes de Gabriel Andrade, a participação é ainda mais pulverizada: menos de 5% para cada um. Porém, quem conhece Sérgio Andrade com um mínimo de proximidade sabe muito bem que ele não precisa ser majoritário para impor sua vontade. Os fatos comprovam que, nos últimos tempos, ele tem dado as cartas. A Andrade Gutierrez arrematou várias concessões públicas, desde rodovias até licenças para transporte marítimo de passageiros (caso da Conerj), comprou uma parte minoritária da Sanepar e, o mais emblemático - e conturbado - negócio, entrou na Telemar. Uma evidência clara da separação de corpos e de interesses que hoje afeta a Andrade Gutierrez é a intensificação de um modelo de gestão implementado ainda na época de Roberto e Gabriel Andrade e Flávio Gutierrez, os fundadores da empresa. Talvez já antevendo divergências entre seus herdeiros, o trio criou o que, internamente, se chama de Divisão A e Divisão B. Na prática, o que vem acontecendo é justamente cada vez mais um grupo cuidando apenas das construções pesadas e outro, responsável pela parte de estradas. E só. Aos poucos, Sérgio Andrade teria reduzido a ingerência de outros ramos de acionistas nas decisões estratégicas referentes à compra de participações. Ainda é cedo para se dizer que seqüelas a crise deixará no grupo. Uma coisa, porém, parece certa: é preciso que algo mude para que tudo continue como está na Andrade Gutierrez. Ou seja: a empreiteira siga respondendo por sobrenomes e não atendendo por Sérgio, Eduardo ou Roberto.

 

relatório nº 1484 -26/09/2000< /font>

 

 

 

Tolerância zero

O empresário José de Alencar, da Coteminas, estaria conhecendo na própria carne o que é ter Jorge Paulo Lemann e cia. como sócios minoritários. Os novos acionistas estariam tentando meter a colher na gestão da empresa, algo que Alencar nunca tolerou.

Meu garoto

Papai Olacyr anda todo prosa com o filho Marcos de Moraes. O internético empresário teria sido convidado pela Portugal Telecom, a quem vendeu, recentemente, a Zipnet, a ser seu sócio em futuras investidas na web.

• Se, de um lado, a NTT DoComo negocia sua parte na Tele Sudeste Celular para a Telefónica, de outro, articula com os espanhóis um consórcio para os leilões das Bandas D e E.

Guia Michelin

Quem viu o roteiro da espanhola Dragados y Construcciones no Brasil garante: sua próxima parada é o Metrô de Fortaleza. O grupo entrará na disputa através da Dycasa, sua subsdiária na Argentina.

 

 

Sono pesado

A gaúcha Imbralan dormiu com o inimigo. Sem ter como acompanhar o fôlego da Hunter Douglas, estaria vendendo, para os próprios americanos, sua parte na joint venture que ambas mantêm para a produção de persianas.

• O diretor-geral da Caio, Cláudio Regina, procurou o RR e negou que a Irizar esteja negociando a compra ou uma participação no capital da sua empresa.

Curto-circuito

O presidente da Escelsa, Francisco Gomide, estaria no fio da navalha devido ao embate entre a EDP e os fundos de pensão pelo controle da empresa.

Velha piada

O governador Jaime Lerner teria acenado com um pacote de incentivos fiscais para a fábrica que a Nissan pretende construir no Paraná. Os executivos da Renault, controladora da empresa, que conhecem muito bem a pontualidade tributária do governador, apenas riram.

• A venda da Cepisa tem tudo para marcar a estréia da alemã RWE nos leilões de energia no país.

Hora extra

O governo paulista está trabalhando dia e noite em uma fórmula contábil que aumente o volume de créditos fiscais da Cesp Paraná e, por tabela, o seu preço de venda.

Cartão vermelho

Paciência tem limite e o da MRS já acabou. A empresa está prestes a dar um passa-fora na chinesa Zyiang, que está postergando a entrega de uma série de locomotivas.

• A Nörsk Hydro vai colher as ações da Adubos Trevo em Bolsa e fechar o capital da empresa.

Discagem direta

A Atlantic Cable Marines - controladora de uma rede internacional de cabos submarinos - está plugando a sua operação em uma empresa nacional de longa distância. O novo parceiro tem forte presença no Nordeste e Sudeste.