Bandas da Anatel desafinam capitalização da Telesp Celular

Recomenda-se, durante um bom tempo, não se falar dos leilões das Bandas C, D e E e muito menos pronunciar o nome da Anatel perto dos executivos da Portugal Telecom. O desavisado interlocutor pode levar um desaforo como resposta. O fato é que as regras escolhidas para as licitações acabaram se tornando um inesperado obstáculo para a capitalização da Telesp Celular. Pelo menos foi o que indicou o road-show realizado pela empresa, na semana passada, junto a bancos europeus e americanos. Muitos investidores que já haviam demonstrado interesse em comprar eurobonds da operadora devem declinar do negócio. A desistência estaria ligada à nova configuração da telefonia celular. Para entrar em uma operadora no Brasil e ter que dividir o bolo e o potencial de retorno com, pelo menos, outros quatro concorrentes, a maioria prefere ficar onde está: nos mercados da Europa e dos Estados Unidos. Provavelmente, esta mudança de rota não abala a estratégia da Portugal Telecom para a Telesp Celular. O grupo tem recursos em caixa e acesso a crédito internacional para aportar o que bem entender nas suas controladas. Em suma: os planos de comprar operadoras no país através da Telesp — entre as mais cogitadas, estão Tele Centro Oeste e Global Telecom — continuam de pé. Porém, a Portugal Telecom talvez tenha que arcar com uma despesa que não estava no script. O grupo planejava captar no mercado boa parte do montante de R$ 1,1 bilhão a ser injetado na Telesp. Agora, é bem provável que seja obrigado a colocar a mão no bolso e tirar um considerável maço de notas a mais.

Contra-ataque

Se depender do presidente da Previ, Luís Tarquínio Sardinha, chegou a hora da Iberdrola pagar com juros a sucessão de entreveros na Guaraniana. A fundação só entrega as ações da Cosern em seu poder se receber uma oferta bem encorpada.

 

 

 

• Mal voltou ao batente, o fênix do varejo, Girsz Aronson, já teria recebido uma proposta pela loja que abriu em São Paulo.

Iniciativa privada

O presidente da Fundação Prêmio Nacional de Qualidade, Carlos Salles, tem se reunido, a portas fechadas, com grandes líderes empresariais, em torno de um projeto que terá forte impacto na balança comercial. Duas pistas: o target são micro e pequenas empresas e a empreitada não envolve dinheiro do governo.

• O governo catarinense procura um adviser para retomar a venda da Celesc.

Caixa-forte

Com os bolsos entupidos — após a venda do Bompreço por R$ 500 milhões — João Carlos Paes Mendonça estuda a compra de duas redes de supermercados no Nordeste.

• O Hypovereinsbank deve formar um fundo para levar um lote de ações de Furnas.

Jogando a toalha

O ministro Rodolpho Tourinho entregou os pontos. Em círculos fechados, já admite que a venda das geradoras da Eletrobrás ficou para 2001.

• O leilão da linha de transmissão Curitiba-São Paulo marcará a próxima investida da americana Tyco no país.

 

Irizar quer mais do que dívidas sobre rodas

A Irizar, fabricante de carrocerias de ônibus, não veio ao país para se tornar uma passivobrás sobre rodas, comprando empresas com notórias dificuldades de crédito para posterior reestruturação. Ou seja: operação de junk bond não é propriamente a vocação dos espanhóis. Depois de avaliar e reavaliar o negócio, a Irizar estaria desistindo da compra da Caio, um dos maiores produtores de carrocerias de ônibus do país. No máximo, manterá o acordo de arrendamento de unidades industriais da empresa. E olhe lá. Nem mesmo a idéia de adquirir separadamente as fábricas deverá ser levada adiante. Ao que tudo indica, a Irizar está, neste momento, tateando o mercado brasileiro e não quer fazer qualquer grande investimento até sentir que veio para ficar. A desistência da Irizar não se deve pelo preço que teria de pagar pelo negócio, mas pela herança que receberia. O passivo da Caio já teria ultrapassado os R$ 100 milhões. Além disso, os espanhóis sabem que este não será o único ágio a ser pago na operação. Paralelamente, precisariam investir na modernização das plantas industriais. Desta forma, o mais provável é que os credores da Caio continuem com o pé na estrada, em busca de um comprador para a companhia.

ANP cria sua própria conta-petróleo

Mesmo que por vias oblíquas, o diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, resolveu dar a sua generosa cota de contribuição para conter o preço do petróleo e do gás no mercado interno. Em primeiro lugar, decidiu antecipar para o próximo ano mais duas rodadas de licitações de blocos para a exploração e produção de petróleo. Além disso, não dará a menor trela à cantilena da Petrobras, que está tentando ampliar o prazo para início da exploração nas áreas entregues pela Agência antes mesmo do início dos leilões. Os prazos não serão alterados. Para completar, Zylbersztajn também vai cobrar da estatal o seu enquadramento no open acess — o livre acesso dos concorrentes aos gasodutos da estatal. A medida serviria para reduzir o custo do transpoorte de gás e petróleo no Brasil. De quebra, a ANP deverá concluir até o fim deste ano a regulamentação para que seja liberada a importação de derivados de petróleo até meados de 2001. Só que, neste caso, a ANP não apita sozinha. Zylbersztajn terá que aguardar pacientemente a aprovação pelo Congresso do imposto sobre os combustíveis.