Previ dá um calote na Brascan
e ignora a "boa governança"

"Boa governança corporativa" só deve funcionar no quintal dos outros. Este parece ser o lema da Previ. Quando o assunto é debaixo do seu próprio teto, a história é diferente. Mesmo nos casos em que o teto não é propriamente seu. A versão, portanto, é que a fundação está empenhada em boas maneiras corporativas; mas o fato é que a ciclópica instituição, detentora de um patrimônio de R$ 33 bilhões, ainda não pagou um centavo sequer pela compra de três andares no Centro Empresarial Mourisco, na Praia de Botafogo, no Rio. Trata-se, sem sombra de dúvida, de um dos metros quadrados mais caros do país. Quando acertou o contrato junto ao consórcio liderado pela Brascan, responsável pela construção do edifício, o fundo de pensão comprometeu-se a pagar o negócio em dinheiro ou oferecer em dação a opção de venda do prédio no Flamengo, onde, então, estava sediado. No entanto, não fez nem uma coisa nem outra. Agora, a Brascan está tentando na Justiça o cancelamento do acordo e a devolução dos imóveis. Tanto que a Telefónica de España, que alugou os escritórios junto à Previ, está depositando o valor da locação em juízo. O mais curioso, porém, foi a reação da fundação. A Previ, ao que tudo leva a crer, deu de ombros à ação movida pela Brascan e até perdeu o prazo para apresentar sua resposta à Justiça. Depois que acertou a compra dos andares, a Previ postergou durante meses a decisão se iria ou não se mudar para o Mourisco. Durante esse período, recusou-se, inclusive, a assinar o "aceite" dos imóveis, alegando que os construtores ainda não haviam concluído as obras de instalação. Porém, estranhamente, o que não servia para ela, caiu como uma luva para a Telefónica. A Previ alugou os três andares para os espanhóis e garantiu um contrato espetacular: cerca de R$ 170 mil mensais. Ao mesmo tempo, por aproximadamente R$ 45 milhões, adquiriu junto à Vale do Rio Doce outros andares no mesmo prédio, para onde, inclusive, levou os seus escritórios. A antiga sede? Continua nas mãos da entidade, que pode especular no mercado imobiliário, à espera da valorização do imóvel. Resta à Brascan botar fé na Justiça, já que a Previ tem cansado de demonstrar que não vale nem o dito, nem o escrito.

relatório nº 1482 -22/09/2000< /font>

 

 

 

Olhos de lince

Dona Maria Cecília Geyer, comandante-em-chefe da Unipar e hours concours na categoria "antevisão de rentabilidade", já identificou que o melhor investimento está dentro de casa. Estaria estudando com carinho a aquisição dos 9% da PQU em poder da Sociedade de Empregados da Empresa. O mandato de venda das ações está nas mãos do Indosuez e já há uma fundação namorando a idéia.

Renda fixa

Marcos Magalhães Pinto já contabilizou algumas dezenas de milhares de dólares de patrimônio positivo no rescaldo do Nacional, que ficou pendurado no BC. Do jeito que a coisa vai, acabará se tornando um bom negócio.

• O CEO da Suez Lyonnaise, Gérard Mestrallet, aterrissa no Brasil em outubro. Vem fechar parcerias para o leilão da Embasa.

PSINet vem aí

O sorriso do Homem do Baú pode ficar ainda mais largo. A americana PSINet estaria flertando com o SBT On Line, que até agora teria rendido mais prejuízos do que lucros ao empresário Senor Abravanel. O interesse estaria centrado na operação de acesso à Internet da empresa.

Petrohedge

Perguntar não ofende: afinal, quanto a Petrobras compra de petróleo no mercado spot? Será que a quantidade justifica toda essa onda?

Fora do gancho

O empresário José Carlos Fragoso Pires morre de medo de receber um telefonema do BNDES. Pode ser alguém cobrando o pagamento pela compra da Alcanorte. Fragoso teria deixado de quitar várias parcelas do contrato.

Na bolsa de apostas do setor elétrico, a americana PP&L passou a ser uma espécie de pule de dez para o leilão da Ceal, de Alagoas.

• O diretor do grupo Hyatt na América do Sul, Mylies McGarty, saiu à cata de um sócio para construir um hotel de luxo no Rio de Janeiro.

Williams encena "Quero ser grande" na ATL

Durante um bom tempo, a Williams roeu o osso na ATL. Não seria agora, na hora do bem-bom, quando o controle da empresa passará oficialmente para a Southwestern Bell (SBC), que os norte-americanos abandonariam o barco. Muito pelo contrário. O grupo quer mesmo é aumentar a sua participação na operadora da Banda B no Rio e no Espírito Santo. Neste caso, as conversas devem ocorrer com a SBC. Oficialmente, a empresa é hoje detentora de 25% do capital da ATL, mas sabe-se que é só a Anatel dar o sinal positivo para que os americanos comprem o restante das ações da Algar e assumam o controle da operação. Hoje, a Williams tem 22% do total da ATL e gostaria de beliscar algo próximo dos 40%. A companhia tem todos os motivos do mundo para acreditar que as negociações com a SBC serão muito bem-sucedidas. Ambas são parceiras operacionais nos Estados Unidos e não haveria, pelo menos na teoria, motivos para a SBC se opor ao crescimento da participação da Williams no negócio. Os planos de crescer no Brasil fazem parte de uma estratégia mundial da Williams. Nos últimos anos, devido à saturação do mercado de telecomunicações nos Estados Unidos, a empresa começou a carimbar seu passaporte para outros países. Hoje, tem negócios também na Venezuela, na Austrália e até na Lituânia. No Brasil, a Williams estaria de olho gordo para cima da Banda C, negócio que, acreditam os americanos, seria muito rentável se unificado à operação da ATL.

• O J.P.Morgan - ou o agora Chase J.P. Morgan - é o nome mais cotado para ser o adviser da AES no leilão da Cesp Paraná.