Vasp liquida todas as suas
subsidiárias internacionais

Tudo que é sólido se desmancha no ar? Há controvérsias. A Vasp, por exemplo, que não é sólida, está se desmanchando mesmo no chão. Praticamente toda a sua rede de subsidiárias vem passando pelo que se pode chamar de uma operação-desmonte. Wagner Canhedo já teria acertado a venda da Transportes Aéreos Neuquen, da Argentina, para uma empresa regional também portenha, e estaria procurando comprador para a Companhia Equatoriana de Aviación e o Lóide Aéreo Boliviano. Como se já não bastassem os seus próprios prejuízos domésticos, nos últimos meses a Vasp se viu obrigada a conviver com os maus resultados destas empresas. Só no primeiro semestre do ano, as três subsidiárias juntas teriam perdido quase US$ 100 milhões. Além disso, enfrentam sérios problemas operacionais, como escassez de frota, a ponto, inclusive, de a própria Vasp ter que retirar aviões das suas linhas convencionais para utilizá-los nestas companhias. Ironia do destino, hoje pode até se dizer que a Vasp fez o melhor negócio do mundo ao não comprar a Aerolíneas Argentinas. A deficitária companhia apenas aumentaria os seus prejuízos fora do Brasil. A Neuquen, a Companhia Equatoriana e o Lóide Boliviano nunca foram nenhuma Coca-Cola. Quando compradas pela Vasp, já eram empresas com uma situação financeira não muito arrumada. Porém, nos últimos anos, teriam desandado de vez. Hoje, o passivo da trinca aérea passaria dos US$ 200 milhões. Durante um bom tempo, a gestão das companhias da Bolívia e do Equador esteve nas mãos de Ulysses Canhedo, um dos filhos de Wagner. Mas sua passagem pelas empresas foi conturbada. Do Lóide Aéreo Boliviano, teria saído em razão de desentendimentos com o Conselho de Administração. De lá rumou diretamente para a Companhia Equatoriana, levando a tiracolo vários colaboradores, a maioria oficiais da reserva da Aeronáutica. Também não ficou no novo cargo por muito tempo. Com a venda das suas empresas no exterior, além de se livrar de futuros prejuízos, a Vasp poderá colocar algum em caixa. Recorde-se que, nos últimos dias, a empresa viu mais uma vez a sua grande esperança de capitalização voar pelos ares. A Vasp sofreu uma derrota no Tribunal Regional Federal de Brasília na ação em que cobra da União cerca de R$ 1,7 bilhão por supostas perdas decorrentes de planos econômicos. A direção da empresa já decidiu recorrer da decisão e cogita uma ida ao Supremo Tribunal Federal. Porém, esta é uma luta inglória e demorada e, o que é pior, de resultado duvidoso. Enquanto isso, os problemas financeiros da empresa seguem inflando. Em um ano, o endividamento total saltou de 80% do patrimônio para mais de 90%. Só nos últimos dois anos, os prejuízos operacionais beiraram os R$ 600 milhões. Hoje, a companhia apresenta a pior relação receita por funcionário entre as grandes do setor: R$ 161 mil, ficando atrás até da Transbrasil, que nunca teve uma performance das melhores neste quesito. Por enquanto ainda é possível se desfazer de alguns anéis, mas falta pouco para que a Vasp tenha que cortar os próprios dedos.

 

relatório nº 1479 -19/09/2000< /font>

 

 

 

Jóia da coroa

O que a Sprint fala não se escreve. Enquanto diz aos quatro ventos que não sai da Intelig, conversa com meio-mundo. Agora, teria iniciado negociações com a Bell South.

• Tem gente no BB trabalhando firme pelo retorno de Evandro Lopes, ex-superintendente da DTVM, ao país. Hoje, ele vive uma espécie de exílio na representação do BB em Buenos Aires.

• A CVM estaria analisando uma operação que pode modificar todos os rumos do fechamento de capital da Bombril.

180 graus

O presidente da Camargo Corrêa, Raphael Antônio de Freitas, ganhou um round na luta contra os herdeiros de Sebastião Camargo. Defensor da manutenção da empresa em vários negócios, conseguiu evitar que a Cavo, companhia de saneamento, fosse vendida, como queriam os acionistas do grupo.

Treze pontos

O Warburg ganhou uma pequena fortuna com a fusão entre Santista e Ceval. Teria comprado uma significativa quantidade de ações da Santista, a cerca de R$ 0,35. Agora, deve entregar os papéis, recebendo R$ 0,675.

• A Gas de France está perto de entrar no capital de um gasoduto da Região Sul.

Mercopechincha

As Forças Armadas estão vendendo, a um preço simbólico, o porta-aviões Minas Gerais para o governo argentino.

Sexta marcha

Além dos modelos já definidos, a matriz da Renault deve autorizar, até o fim do ano, a subsidiária brasileira a produzir mais um tipo de veículo na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná. A idéia é importar boa parte da fornada para toda a América Latina.

Luz no fim do túnel

Em tempos de escassez de energia e sérios riscos de blecaute, uma boa notícia para o Ministério de Minas e Energia. A italiana Enel vai construir uma térmica a carvão no Maranhão. A geradora, com capacidade instalada de 500 megawatts, terá o seu capital repartido entre a Enel, a Billington e a Alcoa e será instalada no complexo da Alumar. A indústria de alumínio garantirá a assinatura de PPAs - contrato de compra antecipada da energia elétrica - e o excedente será negociado no mercado spot, de curto prazo. Com início da construção previsto para o fim de 2001, a termelétrica deverá entrar em operação dois anos depois. A propósito: Hypovereinsbank, Dresdner e Deutsche, da Alemanha, Paribas e ABN-Amro disputam a condição de adviser da operação.

• O Barclays Capital, braço de investimento do banco inglês, teria recebido autorização do BC para iniciar sua operação no Brasil. De cara, deve financiar investimentos de grupos internacionais em energia.

Tela quente

O Brasil vai pintar na tela da Nippon Eletronic Glass, uma das maiores fabricantes de cinescópios do mundo. A empresa pretende construir uma fábrica no país ao lado de uma indústria nacional.