tml> Relatório Reservado Nº1478 -18/09/2000
 

Air Touch soletra todo o
alfabeto da telefonia celular

Afinal, qual é a melhor Banda da telefonia? A, B, C... A Vodafone Air Touch traz a resposta na ponta da língua: no abecedário das teles, o grupo cismou que quer todas as letras. O pantagruélico apetite tem suas razões. Até agora, a empresa não comprou nem uma mesa de PABX no Brasil e chegou a hora de recuperar o terreno perdido. Tanto que já teria reservado cerca de US$ 1,5 bilhão para aquisições no país. Para isto, os ingleses vão partir para uma estratégia multifacetada: disputar os leilões de PCS, a segunda geração de telefonia móvel, e, no ato seguinte, comprar também uma participação ou na operadora da Banda A ou da Banda B na mesma região. Esta dualidade será permitida pela Anatel, desde que um acionista presente na freqüência C entre em apenas um dos outros dois sistemas. A Air Touch já contratou o Chase - ou, o recém-rebatizado J.P. Morgan Chase - para comandar a operação. Inicialmente, a empresa tem três alvos preferidos. O grupo já teria mantido algumas sondagens junto à sueca Telia para comprar a sua parte na Tess. Antes, porém, terá que arrematar a Região 3 da Banda C, que coincide com a área de atuação da operadora. A Air Touch também quer marcar presença na Região 2, e, por isso, tem interesse em ficar com as ações da Bell Canada na Americel, que opera em Brasília, e na gaúcha Telet. Dentre estas possibilidades de negócio, é o mercado paulista que mais faz os olhos da Air Touch brilharem. O ingresso em uma empresa do estado permitiria consolidar uma trilogia operacional: juntar duas bandas e disputar, posteriormente, as licenças da terceira geração de celulares, com licitação prevista para, no máximo, 2002. Com isso, a Air Touch agregaria maior valor e poderia formar uma grande rede de transmissão de dados corporativos. A idéia é utilizar a dobradinha telefonia sem fio/internet para difundir a tecnologia Wap. Para isto, tudo leva a crer que a Tess é mesmo a porta de entrada mais escancarada no estado. Nas outras duas operadoras de celular, não há qualquer indício de que os controladores estejam de saída: caso da Bell South na BCP e da Portugal Telecom na Telesp Celular. Mas, será que a Air Touch não está indo com muita sede ao pote, ao querer controlar mais de uma concessionária celular na mesma região? Bem, os ingleses devem saber melhor do que ninguém o tamanho do passo que podem dar. Além disso, têm motivos muito fortes para optar por esta tática. Um dos gigantes das telecomunicações mundiais, sobretudo depois da megafusão que colocou debaixo do mesmo teto a Vodafone e Air Touch, a companhia não está disposta a iniciar sua operação no país pela maneira menos rentável. Se levar apenas concessões nas Bandas C, D e E, terá que começar tudo do zero, investindo na compra de estações radiobase, centrais de comutação e demais equipamentos. Por isso, o grupo acredita que só vale a pena ter uma licença de PCS junto a uma operadora da Banda A ou B, que conta com uma estrutura completa. Ou seja: a Air Touch acha que só dá para ser feliz no Brasil juntando todas as letras da cartilha das telecomunicações.

 

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Macunaíma

Tudo o que Luiz Carlos Mendonça de Barros fala, quando o assunto é telefonia, não é por interesse cívico. Ao contrário do que imaginam alguns ingênuos, sua missão pessoal no setor não findou com a providencial retirada do Ministério das Comunicações. O incrível é que pose de vestal dando opiniões sobre "boa governança corporativa".

• Samuel Klein está empenhado até a alma em uma negociação que poderá aumentar barbaramente a presença da Casas Bahia no Rio de Janeiro, maior reduto do Ponto Frio.

Emergência 911

Está difícil privatizar? Disque "S.O.S. BNDES". O governador Anthony Garotinho, por exemplo, já teria passado a mão no telefone e pedido que o banco dê uma mãozinha na venda da Cedae.

Dieta elétrica

Ao juntá-la com a Sabesp, o governo paulista pode ter encontrado a fórmula mágica para privatizar a Emae. Mas faltou um detalhe: é bem provável que tenha que assumir o passivo da empresa. Sem isso, a venda da geradora praticamente volta à estaca zero.

• Nem assinou com a ISL, o Palmeiras já teria batido na porta dos suíços pedindo um adiantamento dos investimentos previstos para o próximo ano.

Procuração

Quem quiser falar com a PP&L Resources sobre a compra de distribuidoras de energia no Nordeste pode bater na porta do Dresdner Kleinwort Benson. O banco está praticamente fechado como o adviser do grupo americano para a operação.

• O Itaú está prestes a entrar no mercado futuro de commodities agrícolas, através da negociação de contratos de soja e café.

Camping tour

A canadense Suncor e a americana Unocal montaram acampamento na Bacia de Campos. Vão ficar por lá até comprar uma participação em blocos já em produção. Além disso, negociam um acordo para a próxima rodada de licitações da ANP.

Alta-voltagem

Toda a diretoria da Coelce está andando na corda bamba, ou melhor, em um fio desencapado. Não deve ficar ninguém para contar a história no primeiro escalão da distribuidora cearense, ainda por conta do desastrado não-cumprimento das metas estipuladas pela Aneel. As trocas aconteceriam após a reunião do Conselho de Administração, marcada para esta quarta-feira, quando o espanhol Manoel Monteiro Camacho será indicado como o novo presidente da empresa, no lugar de Carlos de Carvalho.

O grupo Águia Branca - um dos maiores transportadores rodoviários do país - está parlando, há várias semanas, com a italiana TNT. O resultado poderá ser uma joint venture.