Diários Associados gozam e sofrem a herança de Chatô

Depois da tempestade vem sempre a bonança. E vice-versa. A exceção que confirma a regra responde por cinco letras: "Chatô". Não existe tempo de estio em volta de Assis Chateaubriand, vivo ou morto. A mais recente turbulência envolvendo o legado deste ícone da mídia foi a decisão proferida pelo desembargador Paulo Lara, na véspera do 7 de setembro, mantendo a liminar obtida pelos herdeiros de Chatô contra os 22 membros do Condomínio Acionário dos Diários e Emissoras Associados e contra 10 empresas, algumas pertencentes ao grupo e outras não. Os filhos e netos de Chatô denunciaram, em ação ajuizada uma semana antes, o desvio de R$ 172,6 milhões do patrimônio da Rádio Clube de Pernambuco, com sede na cidade do Recife, empresa em que os herdeiros de Chateaubriand são acionistas, para outras companhias em que a participação deles é igual a zero ou mínima. Os recursos em questão vieram da maior indenização já ganha na Justiça contra a União, ou seja, com essa injeção de recursos, no ano passado, os Associados tornaram-se uma das organizações mais capitalizadas do país. De lá para cá, vêm investindo ferozmente, inclusive em um portal na Internet. Em sua contestação ao processo, as empresas jornalísticas afirmaram que o dinheiro não existe mais e que se condenadas a devolverem imediatamente a vultuosa quantia, elas iriam à falência. A declaração dos condôminos de que os recursos não existem mais motivou a decretação de indisponibilidade dos bens imóveis de 32 pessoas físicas, além das empresas dos Associados. Portanto, Correio Braziliense, Rádio Tupi, Estado de Minas, entre outros, estão com o seu caixa paralisado. O processo deve caminhar a galope para a instância federal, já que a equação de um império - ainda que poente - como o dos Associados com os recursos indisponíveis não fecha. O certo ou errado, nessa história, é um assunto para a Justiça. A única lição irrefutável é de que o "terremoto Assis Chateaubriand" não finda. Que venha o Terceiro Milênio, pois Chatô certamente estará lá.

 

relatório nº 1474 -12/09/2000< /font>

 

 

 

Eu, Tu & Eles

A Itochu terá que decidir quem será o seu par no leilão da Banda C. Os japoneses estão flertando com três grupos internacionais - entre eles a Oracle. Porém, os candidatos já avisaram que não admitem cenas de poligamia explícita. Ou seja: a Itochu não poderá formar outros consórcios para áreas diferentes.

Comboio

A temporada de compras da Bombardier não acabou. Depois de incorporar a ADTranz, os canadenses estão perto de engatar no capital de uma fabricante de vagões da Região Sudeste.

Gioco del calcio

A Parmalat pode ter abandonado os gramados brasileiros, mas seu ex-presidente no país, Gianni Grisendi, talvez não. O executivo estuda sua volta aos campos, no comando de um projeto tocado por investidores estrangeiros.

• Firmino Sampaio já disse com todas as letras ao ministro Rodolpho Tourinho que não quer a direção-geral da Aneel. Mas se o senador Antônio Carlos Magalhães pedir, aí então...

Braços abertos

Sérgio Andrade está decidido a abrir o capital da Pegasus, empresa de cabos ópticos da Andrade Gutierrez, para um sócio estrangeiro. De preferência, alguém que já tenha negócios na América Latina e na Europa.

Dona Xepa

A ordem de gastar o mínimo possível está obrigando a Força Aérea a abrir mão de alguns sonhos de consumo. O Mig-29 era o favorito, porém o preço mais em conta e um financiamento camarada levaram a Aeronáutica a optar pelo também russo Sukhoi.

A Prefeitura de Londrina já pensa em vender parte da Sercomtel Celular para um sócio privado. A Portugal Telecom estaria no páreo.

Macri aposta no tempero brasileiro

O empresário argentino Francisco Macri vive um momento de lua-de-mel com o Brasil. No ano passado, investiu mais no setor de alimentos no país do que na própria Argentina. Agora, o milionário portenho está prestes a dar uma nova tacada: um aumento de capital na Chapecó. Os recursos já têm destino traçado: em primeiro lugar a compra de frigoríficos - entre os pretendidos estaria o Sola, do Rio de Janeiro. Macri quer aproveitar o câmbio muy amigo do lado de cá da fronteira e usar o Brasil como um centro exportador de carnes. A injeção financeira ainda permitiria à Chapecó um aumento da sua produção de industrializados, também com um olho no mercado internacional. Além disso, a capitalização teria uma outra serventia: descomplicar a intrincada compra da participação da BNDESPar na empresa. Tudo indica que o desejo da Macri é, aos poucos, engolir todas as ações em poder do braço de participações do BNDES, operação que abriria caminho, em um futuro próximo, para o fechamento de capital da Chapecó. Desta forma, o mais provável, inclusive, é que a BNDESPar não acompanhe um eventual aumento de capital da companhia. Não surpreende que Francisco Macri, pelo menos aparentemente, esteja tão empolgado com seus investimentos no país. Em 1999, a Macri faturou mais no Brasil com alimentos - cerca de US$ 260 milhões - do que na Argentina, onde a receita ficou em torno de US$ 130 milhões. Para isto, contou, e muito, a recuperação financeira da Chapecó. Em 1998, a empresa teve um prejuízo de R$ 114 milhões. No ano passado, lucrou R$ 90 milhões, impulsionada, sobretudo, pelas suas exportações.

• De boba, a American Electric Power não tem nada. Só entrará no leilão Cesp Paraná, endividada até o pescoço, acompanhada.

• A Wind - controlada pela Enel, Deutsche Telekom e France Telecom - vai entrar nos leilões das bandas D e E de telefonia celular.