Embraer bate continência
para seus sócios franceses

Até agora, a parceria com o consórcio de empresas francesas praticamente não mudou a fisionomia da Embraer. No máximo, serviu, é verdade, como um bom pistolão para alguns mercados internacionais. E só. Porém, a Embraer está prestes a anunciar a primeira grande conseqüência da associação: a companhia está criando uma subsidiária que atuará na fabricação de aviões militares. A idéia é mergulhar de bico em um dos mais rentáveis segmentos do mercado. Hoje, a Embraer já produz aeronaves de combate, como o AMX, desenvolvido em conjunto com a indústria italiana e subsidiado pela Aeronáutica, o ALX e o avião de alarme antecipado, que será utilizado no Sivam. A fabricação destes modelos será automaticamente transferida para a nova empresa. Além disso, a companhia receberá tecnologia dos sócios franceses. A Embraer quer entrar para valer nas licitações para o reequipamento das Forças Armadas. Além disso, as cifras tilintam também na vizinhança. Países como Argentina, Chile, Peru e Venezuela estudam o reaparelhamento da sua Força Aérea. Entende-se a preocupação da Embraer com a área militar. Embates comerciais com a Bombardier à parte, a venda de aeronaves civis vai muito bem. Nos últimos meses, todos os grandes contratos fechados com a empresa saíram deste setor. O faturamento de R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre foi, em grande parte, garantido pela venda de 72 aviões da família ERJ145/135. Além disso, fechou importantes contratos, como o acertado com a Solitair Corp. que, sozinha, encomendou 90 jatos ERJ 145. Porém, os negócios na área militar ocupam uma fatia modesta nas vendas da empresa. Não chegam a 8% da carteira de pedidos, hoje em torno dos US$ 20 bilhões. De contratos significativos nos últimos meses, só o fornecimento de sistemas integrados com base no modelo BEM 145 para as Forças Armadas gregas e uma remessa de três aeronaves para o México. Com uma empresa isolada, trabalhando as 24 horas do dia apenas em projetos militares e a mãozinha dos seus sócios franceses, a Embraer espera figurar como protagonista nos projetos de modernização da Aeronáutica brasileira e reduzir a distância para os concorrentes internacionais. Mas, com esta decisão, a Embraer não estaria repetindo a velha picuinha junto às Forças Armadas, a exemplo de quando abriu as portas para os franceses sem comunicar previamente ao governo? Parece que, desta vez, a história é diferente. A Aeronáutica não se oporia a cisão da Embraer. Há um consenso entre o alto-comando da Força Aérea que, com a chegada dos sócios gauleses, esta era uma rota mais do que natural. Além disso, à medida que financiou alguns projetos da empresa na área militar, o governo brasileiro tornou-se, mesmo que indiretamente, um dos maiores incentivadores de uma operação mais incisiva da Embraer neste setor. E, se isso não fosse suficiente, há outra razão muito forte para que a Aeronáutica aceite, de bom grado, a iniciativa: a própria Força Aérea acabará se beneficiando, ao passo que poderá utilizar as velhas relações parentais com a Embraer para comprar equipamentos sem precisar, em alguns casos, recorrer à indústria internacional.

 

relatório nº 1472 -8/09/2000

 

 

 

Espada na cabeça

O presidente da Telefónica no Brasil, Fernando Xavier, está diante de um dilema: anunciar pura e simplesmente uma recompra das ações da CRT Celular ou convencer a matriz de que é melhor repetir o método utilizado no caso da Telesp - a troca por BDRs - para evitar uma chiadeira coletiva dos minoritários?

Acefalia

A CCPL corre o risco de sofrer um sério hiato de gestão. As cooperativas associadas à empresa não estão se entendendo quanto à substituição da atual diretoria.

Estratosfera

O Sonae quer voar mais alto no varejo do Paraná. Para isto, poderá pegar uma carona nas asas da Condor, uma das maiores redes do estado, com faturamento de R$ 250 milhões anuais.

• Em parceria com a Microsoft, a Globo Cabo está fazendo testes de transmissão de TV pelo sistema digital.

Lava-jato

O governador Jaime Lerner já não consegue mais esconder o sorriso. A Vivendi respondeu que topa fazer um aumento de capital na Sanepar. Os recursos facilitarão a construção de subestações e a recuperação da rede de dutos e, por tabela, a venda de mais uma fatia do capital da empresa.

Todos os santos

A MCI já pensa em mandar rezar uma missa ecumênica na porta da Embratel. A vida definitivamente não está fácil. Além da mal-explicada prisão do executivo Richard Perez, paira sobre a Embratel um forte risco de demissões no primeiro escalão da empresa.

• O ministro José Botafogo Gonçalves, negociador do Brasil no Mercosul, ganhará uma embaixada na Europa. Falta só escolher o seu substituto.

Onde há fumaça...

Atenção, CVM: o encorpado lucro e os parrudos dividendos distribuídos pela Souza Cruz foram vazados, pelo menos uma semana antes, em Londres. Em seu comunicado ao mercado local, divulgado, inclusive, no Financial Times, a BAT informou que seu espetacular lucro no período - um crescimento de 6% em relação à mesma época no ano passado - foi decorrente dos resultados de suas operações no Chile e no Brasil. Se falasse mais, até estragava.

Lavoura

Bem de fininho, a americana P&L Fertilizer começou a arar o terreno para a sua entrada no Brasil. Já estaria negociando a compra de distribuidores de sementes, operação que antecederia a aquisição de uma indústria de fertilizantes.