Tápias empata idílio e TAM e Transbrasil ficam só na vontade

Então fica combinado assim: a TAM e a Transbrasil vão cada uma para o seu lado. Do esperado matrimônio, que deveria gerar o rebento inspirador da grande reestruturação do setor aéreo, sobrou só o acordo operacional - pouco mais do que uma troca de assentos - eterno enquanto dure, mas bem menos duradouro do que previam seus fiadores. Até porque, o acordo entre as duas companhias lembra a parábola da joint venture entre o porco e a galinha: a penácea convidou o suíno a entrar com o presunto, enquanto ela entrava com os ovos. A TAM, no caso, entrou com a venda de alguns assentos nos seus vôos em Guarulhos. Em troca, a Transbrasil, até forçada pela devolução aos credores de 30% da sua frota, entregou praticamente todas as suas linhas em Congonhas, rota do rei Midas que inclui a ponte aérea Rio-São Paulo. O saldo é um downgrade para a empresa do comandante Omar Fontana. Mas, o motivo da fusão não sair não são pequenas veleidades sobre quem ganhou mais ou menos nessa fase de namoro. Não se junta matéria e antimatéria sem uma compensação de equilíbrio. O patrimônio da TAM é positivo em cerca de R$ 400 milhões. Já o patrimônio da Transbrasil, dependendo do interlocutor, pode ir de R$ 12 milhões a centenas de milhões de reais negativos. A maior parte desse passivo é com o governo. E é justamente no governo que não se encontra quem trate do assunto à vera. O árbitro natural seria o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. No entanto, ele morre de medo de começar a discutir qualquer projeto que inclua a idéia de perdão fiscal. Parece até que Tápias não foi banqueiro e desconhece que recuperação de créditos pressupõe algum investimento, perdão, ou rolagem. Se a Transbrasil ou a Vasp, por exemplo, quebrarem, as perdas do Erário serão muito superiores aos caraminguás da reestruturação. Mas, talvez seja bem mais cômodo e em sintonia com a doutrina do mercado deixar que la nave và. Sem o apoio do governo, a TAM, que cacarejou no acordo operacional, passa a ser o suíno da história. Portanto, acabou, não há mais projeto de fusão, a não ser que o governo encontre um interlocutor para tratar o assunto a sério ou troque de ministro.

 

relatório nº 1471 -6/09/2000

 

 

 

Darling

A Southwestern se encantou mesmo pelo Brasil. Já entrou na ATL e, agora, está com um olho do tamanho do mundo para cima da participação da Bell Canada na Telet.

Gloria Magadan

Mais um capítulo na interminável novela da concordata da Arapuã. O desembargador Nery Júnior, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região/SP, suspendeu a Assembléia Geral Extraordinária da empresa, prevista para hoje, na qual seriam analisados os balanços de 1998 e 1999. Segundo ele, a Assembléia tinha "por objetivo frustrar o Inquérito Administrativo instaurado pela CVM".

• Tem fundo de pensão azucrinando a vida de Antônio Ermírio de Moraes. Uma fundação, da área federal, não estaria aceitando a oferta de recompra de ações da Cimento Itaú.

Porta adentro

A americana Bemis Company, que mantém uma associação operacional com a Dixie-Toga, acha que chegou a hora de dar uma mordidela no capital da fabricante de embalagens.

Bola de cristal

O Banco Prosper, do grupo Peixoto de Castro, se fartou de comprar ações da Comgás nos últimos dois pregões. Qualquer semelhança com a possibilidade de fechamento de capital da empresa não é mera coincidência.

Camisa 12

Mesmo com os prejuízos do StarMedia, o Chase não perdeu as esperanças com o pontocom.br. Tanto que seria candidato a comprar uma parte do site Super11, este sim um enfermo que precisa de primeiros socorros urgentes.

• A rede Othon contratou a americana CB-Richard Ellis para vender alguns de seus hotéis na Zona Sul do Rio de Janeiro.

•A Intelbrás, fabricante de telefones fixos e centrais PABX, prepara a emissão de um novo lote de debêntures conversíveis em ações.

• O Japan Bank for International Cooperation deverá bancar a compra de poços maduros no Brasil por petroleiras japonesas.

Anatel gira a tramontana e a lusitana passa

A Portugal Telecom agradece penhoradamente. A decisão da Anatel em permitir a saída da Suzano da Global Telecom era a "deixa" que faltava para deslanchar, de vez, as negociações para a entrada dos portugueses na empresa. Isso porque são grandes as chances de que a agência conceda uma outra alforria à Global Telecom, desta vez uma mudança muito mais impactante: já estaria a caminho uma autorização para que a empresa troque de operador. Este sinal verde é condição sine qua non para que a Portugal Telecom abocanhe um naco do capital da companhia. As negociações com a DDI e a Inepar, controladoras da Global Telecom, já vinham se desenrolando há alguns meses, mas a indefinição quanto à postura da Anatel sempre impediu que o acordo fosse fechado. Afinal, de que interessaria à Portugal Telecom comprar os 5% da Suzano e ser apenas e tão-somente uma minoritária da companhia, sem poder influir na operação? Além dos 5% do capital ordinário que pertencem à Suzano, a Portugal Telecom vai ficar com uma beirada das ações da Inepar e da DDI, hoje proprietárias, respectivamente, de 17% e 49% da Global Telecom. Esta operação poderá se dar através de uma compra direta ou por um aumento de capital, que diluiria a participações das duas empresas. O mais provável é que a DDI se desfaça, proporcionalmente, de uma parcela maior, uma vez que a Portugal Telecom vai assumir a operação da empresa, hoje nas mãos dos japoneses.