VBC blefa na rodada de fogo e
PSEG paga para ver as cartas

Depois de muita resistência, a VBC está finalmente negociando a sua participação na distribuidora gaúcha RGE para a PSEG. Não é de hoje que os americanos tentam comprar as ações, mas sempre esbarraram na negativa dos sócios. Nas últimas semanas, a VBC tentou uma outra cartada, possivelmente a última, para postergar ainda mais a operação. O grupo está criando a CPFL Holding, que abrigará todas as suas participações na área de energia - a CPFL Distribuidora, que tem 44% da Bandeirante, a Hidrelétrica de Serra da Mesa, além da RGE. Bem, até então, nada demais. O problema foi exatamente o segundo ato desta história. A VBC propôs à PSEG que transferisse a sua participação de 32% na RGE para esta holding, sob o argumento de que facilitaria a sua reestruturação. Pode até ser. Porém, com esta sutil manobra societária, a VBC estaria na verdade aumentando o seu quinhão dentro da empresa gaúcha. Isso porque, além dos 40% que já possui, teria ainda uma participação indireta através da CPFL Holding. A reação da PSEG foi explosiva. A companhia não só não aceitou a proposta como ainda deu um ultimato: ou a VBC aceitaria negociar a sua parte ou então quem sairia da empresa seriam os próprios americanos. Ao que tudo indica, o pito surtiu efeito. Há quem interprete, dentro da própria PSEG, que toda a resistência da VBC não passou de um jogo de cena. Na verdade, o grupo não teria realmente o interesse de incluir a RGE na CPFL Holding. Esta teria sido apenas a maneira encontrada pela companhia para pressionar os americanos a pagar mais pelas suas ações. A PSEG tem na ponta da língua um rosário de evidências que reforçam esta desconfiança. Em primeiro lugar, acredita que a forma como a VBC vem agindo se assemelha muito ao que está ocorrendo, neste momento, dentro da Bandeirante Energia. A EDP também está tentando comprar a parte do grupo na empresa paulista. O enredo é o mesmo. A VBC diz que não aceita e, em troca, propôs uma cisão das áreas de atuação da companhia, uma operação que não teria a completa simpatia dos portugueses. No fundo, no fundo, aposta a PSEG, a VBC também estaria tentando vencer a EDP pelo cansaço até conseguir aumentar o valor da sua participação na Bandeirante. Outro fato que chama a atenção da PSEG é o planejamento estratégico dos seus sócios. A VBC está concentrando as suas operações no mercado paulista - a própria criação da CPFL Holding é uma prova disso. Dentro desse movimento não haveria realmente porque continuar na RGE. Agora, depois de todo esse disse-me-disse, tudo leva a crer que o negócio finalmente sai. A VBC sabe que não pode empurrar o assunto com a barriga ad aeternum. A empresa está envolvida em uma intrincada reorganização da sua operação no mercado paulista e não pode perder muito tempo com a questão da RGE. Além do mais, a postura de "ou vai ou racha" da PSEG também falou alto. A saída dos americanos poderia complicar a operação da distribuidora gaúcha e ainda abrir brecha para a entrada de um outro grupo talvez menos interessado em comprar a parte da VBC. Não vale a pena arriscar.

relatório nº 1467 - 01/09/2000

 

 

 

Santo Antônio

A Inepar segue em sua saga casamenteira. Depois do matrimônio com a Enel e do flerte com a Nokia, agora chegou a vez da Arteche. Os espanhóis deverão entrar no capital da Inepar Construções.

Canseira

A Acindar pode ir se preparando para tomar um chá- de-cadeira. Antes de fechar qualquer parceria com os argentinos, a Belgo-Mineira vai ouvir uma outra proposta de associação, vinda da Ásia.

• Surgiu uma chance da Klabin não se desfazer da Riocel. Basta a Kimberly-Clark aceitar o convite para entrar na empresa.

Escala Richter

Há alguns tremores nas relações entre a AT&T e a British Telecom. Os abalos sísmico- societários estariam ligados ao desinteresse da AT&T pelos leilões das Bandas C, D e E.

• FHC descobriu a pedra filosofal. Chama-se projeto "Brasil.com". Seu autor é Eliezer Batista.

Mãos à obra

A francesa Castorama, vendedora de material de construção, vai fazer uns retoques na sua operação brasileira. A idéia é abrir mais lojas na Região Sudeste.

• A Pem Setal quer uma vaga no consórcio que a Degrémont monta para vender equipamentos na área de saneamento.

Assassinato sem morte

O presidente da Caixa Seguros, Pedro Pereira de Freitas, está sentindo na própria pele o que é mexer no vespeiro da privatização. A cada vazamento de que existe uma nova empresa interessada em ingressar na companhia, a corporação tem respondido com uma insidiosa campanha através de todos os meios de comunicação conhecidos, do megafone à Internet. O irônico da história é que Pedro de Freitas passou de performático gestor a vilão injustamente, sem ter sido o idealizador da venda das ações da Funcef, que obedece a uma determinação constitucional. Mais irônico ainda é que não existe privatização. Isso porque a Funcef, sócia majoritária da Caixa Seguros, com 51% do capital, é uma entidade de direito privado.

Au revoir

O vice-presidente da Frangosul, Christophe Akli, estaria a caminho de Paris, de volta à Doux, controladora da companhia.

•A caneta já está em cima da mesa. A Steag e a Shell estão perto de assinar um acordo para investimentos em gasodutos e a construção de térmicas no país.

Controle remoto

Mesmo a distância, o presidente da Ford, Antônio Maciel, continua sendo um guru informal de Olacyr de Moraes. Teria sido sua a proposta de que as empresas de telecomunicações do Grupo Itamaraty disputem os leilões da Banda C.