Exxel e Bimbo disputam
fatia a fatia o pão da Bunge

Dependendo do lado da concorrência vai sobrar ou faltar pão, aliás, fábrica de pão no Brasil. A argentina Exxel e a mexicana Bimbo estariam disputando a compra da Pullman e da Plus Vita, duas das maiores marcas do setor, controladas pela Bunge. Os portenhos partiram na frente, ao oferecer cerca de US$ 70 milhões pelas duas empresas. Teriam chegado até mesmo a promover uma due diligence no negócio. Mas não contavam com o súbito sprint da Bimbo. O grupo mexicano teria livrado cabeça e pescoço de vantagem ao apresentar uma proposta em torno dos US$ 90 milhões. Além do dote mais generoso, que, por si só, já seria suficiente para definir a disputa, a empresa ainda teria um outro handcap. As conversações estariam sendo conduzidas pelo executivo Roberto Azevedo, representante da Bimbo no Brasil. Ex-Santista, Azevedo goza de bom trânsito junto à diretoria da Bunge. Não é de se admirar que dois grandes grupos internacionais do setor estejam duelando pelo negócio. Comprar a Pullman e a Plus Vita significa abocanhar, de uma só vez, duas empresas tradicionais, com grande participação em mercado, bons parques fabris e uma vasta rede de distribuição já consolidada. Tanto para a Exxel como para a Bimbo sai muito mais em conta do que entrar no mercado brasileiro com uma operação própria. Aliás, no caso do grupo mexicano, a aquisição resolveria ainda um complexo de rejeição que está prestes a se tornar uma frustração crônica. Não é de hoje que a empresa procura desembarcar no país, mas, até agora, tem amargado uma série de negativas. Esta, inclusive, não seria a primeira nem a segunda vez que a Bimbo faz uma proposta pela Pullman e pela Plus Vita. Do lado da Bunge, não há qualquer evidência de pressa para fechar o negócio. Porém, independente da velocidade ou sucesso das conversações, um aforismo pode ser parafraseado sob medida para a multinacional, dentro da estratégia de concentrar suas operações no Brasil em soja e fertilizantes: a venda da divisão de pães junta a fome com a vontade de comer.

relatório nº 1453 -11/08/2000< /font>

 

 

 

• Quem comprou na baixa, se deu bem. Bateu, ontem, no topo a cotação de Luiz Carlos Santos no pregão palaciano.

• A coreana Hyundai teria saído em busca de um parceiro operacional para a fabricação de eletroele-trô-nicos no país.

• O cardápio do grupo argentino Macri no Brasil será ampliado com a entrada da MTC, sua subsidiária, nos leilões da Banda C.

Minoritroca

O voto da diretoria da CVM, no final da tarde de ontem, registrando o placar de 100 a zero a favor de Ângelo Calmon de Sá no embate com os minoritários da Polialden, demonstra que a cabeça de cada um é bem diferente do pensamento coletivo. Mas, também, ninguém sabe o que acontece a quatro paredes.

Cartão de visita

A Agip entrou rachando na operação brasileira da Bri-tish Borneo. Demitiu o staff e desmontou toda a estrutura da empresa.

• A Fidelity Investment quer aumentar sua participação na Metrored.

Triste lembrança

Os controladores da Olvepar, trading de soja, recusaram, há alguns meses, uma oferta de cerca de US$ 100 milhões da Cargill. Pouco depois vieram a concordata da empresa e, provavelmente, um arrependimento de dar dó.

Queda-de-braço

A portuguesa Epal tentou comprar a Águas do Juturnaíba, da Região dos Lagos, no Rio. Mas os controladores da empresa, Queiroz Galvão, Cowan e Carioca/Developer, mandaram um recado: não são vendedores, mas compradores de concessões.

Xerox do Brasil II, a vendetta

Valeu a pena ver de novo o remake da paixão, saga e ascensão intracorporativa da Xerox do Brasil, deve estar pensando, com um sorriso de vencedor na alma, o timoneiro da Xerox tupiniquim, Guilherme Bettencourt. Afinal, a operação brasileira da multinacional chegou a ser responsabilizada, no início de 1999, como principal contribuinte do buraco nos resultados da corporation. Depois, é bem verdade, o alto-comando da Xerox Co. reconheceu, internamente, que não tinha entendido muito bem os efeitos contábeis da desvalorização sobre a lucratividade em dólar da Xerox do Brasil. De qualquer forma, já no primeiro trimestre deste ano, a corporation encenava a versão original de "Xerox do Brasil, a vingança", destacando, no seu comunicado a Wall Street, os resultados da operação brasileira. Na semana passada, em Nova Iorque, a festa foi completa: toda a diretoria da corporation e mais os 20 dirigentes das principais operações da Xerox no mundo, elegeram a Xerox de Vera Cruz o modelo organizacional para todas as suas ramificações. A presidenta da corporation, Anne Mulcahy, determinou que, simplesmente, a Xerox do Brasil "compartilhe seu case de gestão e sua capacidade para implementar parcerias estratégicas com todas as organizações Xerox do planeta". Mulcahy chegou a dizer que "a Xerox do Brasil é a companhia que a Xerox gostaria de ser". Enquanto se delicia com o saboroso prato frio da vendetta, Guilherme Bettencourt se prepara para descascar um suculento abacaxi de sobremesa: arrumar data e organizar a vinda dos cerca de 20 charters das organizações Xerox que chegarão ao Brasil brevemente.

• O banco americano Bear Stearns voltou a olhar os números da Chesf.

Torpedo

O alemão Hypovereinsbank teria enviando um aviso ao Ministério de Minas e Energia: topa financiar a construção de hidrelétricas no Norte do país. A instituição montaria o project finance da operação, que contaria ainda com recursos do BNDES e do BID.