Wal-Mart finalmente conjuga
o verbo "varejar" no Brasil

A operação do Wal-Mart no Brasil tem sido, até agora, um samba de uma única nota: atacado, atacado, atacado. Porém, esta monocórdica estratégia está com os dias contados. A rede americana decidiu que chegou a hora de "varejar" no país e finalmente causar um certo incômodo na concorrência. A idéia é importar um modelo que vem dando certo no México: as discount stores. Neste momento, uma equipe do Wal-Mart do Brasil está estudando, in loco, toda a operação da Bodega Aurrera, subsidiária do grupo e maior rede mexicana de descontos, com faturamento anual próximo de US$ 7 bilhões. A empresa americana tem a intenção de fazer seu début varejista até o início do próximo ano. Existe a possibilidade da própria bandeira ser trazida para o país, embora o mais provável é que as futuras lojas carreguem a marca Wal-Mart, muito mais emblemática e conhecida. Porém, uma decisão já estaria tomada: comprar redes regionais de supermercados, que, posteriormente, seriam adaptadas e transformadas em lojas de desconto. No Rio de Janeiro, o alvo é o Zona Sul. Outra rede varejista que estaria nos planos do Wal-Mart é a Mineirão, uma das maiores de Minas Gerais. Na Região Nordeste, o Wal-Mart estaria de olho na potiguar Nordestão e na G. Barbosa, localizada em Aracaju. Esta estratégia vira de ponta-cabeça tudo o que a rede americana fez até agora no país. Com sua presença limitada ao atacado, através das bandeiras Supercenter e Sam's Club, o grupo ainda não fez jus à fama internacional da lendária empresa criada por Sam Walton. Sua atuação está praticamente limitada a São Paulo. Com receita em torno de R$ 950 milhões por ano, é apenas a sexta maior cadeia de supermercados do país e, até agora, não assusta, nem de longe, companhias como Sendas, Bom-preço e Sonae, que compõem a lista dos que faturam mais de R$ 2 bilhões, e muito menos Pão de Açúcar e Carrefour, integrantes de um clube ainda mais restrito: aqueles com receita na casa dos US$ 7 bilhões. O Wal-Mart sabe, melhor do que ninguém, que se limitar sua operação no Brasil ao atacado vai virar um minúsculo ponto no retrovisor da concorrência. Sabe também que quanto mais perdurar sua inércia varejista, mais difícil será depois alcançar as demais empresas. Sobretudo porque quase todo mundo, de um jeito ou de outro, já se posicionou no mercado. Para se ter uma idéia da reviravolta que estas eventuais aquisições representariam na operação do Wal-Mart no Brasil, basta dizer que somente a G. Barbosa faturou no ano passado aproximadamente R$ 518 milhões, mais da metade do que os americanos arrecadaram. Mas não é por isso, ou só por isso, que estas empresas entraram na alça de mira do Wal-Mart. O fato é que sua estrutura física se encaixa como uma luva nos planos do grupo. A maioria dispõe de lojas de dois mil metros quadrados, adequados para uma operação de varejo. A idéia de copiar a Bodega Aurrera também não é por acaso. Graças à prática dos descontos, a rede é um sucesso e já responde por 23% do faturamento do grupo no mercado mexicano. O Wal-Mart aposta na sua convicção de que o que é bom para o México pode também ser bom para o Brasil.

relatório nº 1450 -8/08/2000

 

 

 

• A americana Global Crossing e a Hutchison Whampoa, de Hong Kong, deverão formar uma parceria no Brasil. A sociedade envolveria a operação conjunta de rede submarina de fibras ópticas e Internet.

• A Oracle está trazendo para o país a Oracle Mobile, operadora de telefonia celular, criada neste ano.

Pombo-correio

A Alcoa já recebeu o balanço da Latasa no primeiro semestre. E gostou do que viu, especialmente em dois pontos: o lucro, em torno de R$ 17 milhões, e o pagamento, apenas nos primeiros seis meses do ano, de US$ 68 milhões em dívidas, mais de um quinto do passivo total.

Butim

A Previ cansou mesmo do papel de coadjuvante na gestão das empresas. Agora, teria chegado a vez da Belgo-Mineira conhecer esta nova faceta da fundação. A Previ estaria querendo mais um assento no Conselho de Administração da siderúrgica.

Meia-volta, volver

Por essa a Texaco não esperava. Depois do negócio praticamente fechado, a Esso deu para trás e desistiu de vender a sua participação no campo de Albacora Leste. Agora, a Texaco tentará comprar a parte de outro acionista.

• A GP estuda, para muito breve, a abertura de capital da Americanas.com. Inicialmente, na Bovespa, e depois em Nova Iorque.

Contra-ataque

A Alstom não quer dormir no ponto. Pretende adquirir uma fábrica de vagões no país e dar uma resposta rápida à entrada da Bombardier no Brasil, depois da compra mundial da ADTranz.

Fila de espera

A americana GATX perdeu a paciência. Diante da demora na liberação da importação de derivados de petróleo, resolveu adiar o projeto de construir um terminal marítimo em Pecém, no Ceará. Os investimentos serão alocados em outro país da América Latina.

• Uma grande seguradora suíça, já presente no Brasil, está decidida a fazer uma aquisição no país. A preferência é por uma companhia forte no ramo vida.
• A Chilectra vai participar dos próximos leilões de distribuidoras do Nordeste.

 

 

 

Energia ao quadrado

A Enersul e a MSGás - distribuidora de gás do Mato Grosso do Sul - estão negociando uma parceria para a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no estado. A MSGás forneceria o combustível e a Enersul assumiria os PPAs - contratos futuros de energia elétrica - para viabilizar o financiamento da construção das usinas a gás. Para deslanchar os negócios, ainda falta um precioso detalhe: fechar com investidores e empresas locais interessadas em construir PCHs em suas plantas.