Construção de geradoras atinge
a velocidade da luz de velas

Tudo indica que uma centena de gatos pretos cruzou na frente do Programa Prioritário de Termoeletricidade. Uma súbita seqüência de infortúnios está ameaçando os planos do governo de construir uma série de geradoras, algo que já era dado como favas contadas.Para começar, várias empresas que participariam da empreitada estão reduzindo seus investimentos. É o caso das americanas Enron, AES e El Paso que decidiram investir em geração na Argentina e na Bolívia. Até a Petrobras, que vai financiar o hedge cambial do Programa Prioritário, está seguindo o mesmo caminho. Estas companhias estão aproveitando a brecha aberta pela Aneel, que passou a permitir a importação de energia. Com isso, muitas empresas que já tinham projetos engatilhados em outros países resolveram concentrar seus investimentos em uma só localidade. Na busca de um antídoto, o ministro Rodolpho Tourinho está tentando convencer as empresas de que o custo de construir uma termelétrica no Brasil é bem menor. Além disso, Tourinho quer impedir que a Aneel autorize a importação de energia sem o imprimatur do ministério. Vai ser difícil. A agência é uma instituição independente, com autonomia para deliberar sobre o assunto. O fato é que, com tantos percalços, o mais provável é que a construção das geradoras entre no melhor estilo do "devagar, quase parando". Mas este não é o único revés no Programa. O governo descobriu que falta equipamento para a maioria das obras. O ministro Rodolpho Tourinho fez um check-list em todas as 33 térmicas da relação original e constatou que somente onze já têm turbinas compradas. Para a Termobahia, a Termorio e a Cubatão, já está acertada a aquisição do equipamento junto à Alstom. A geradora de Capuava, em São Paulo, usará turbinas da Siemens e da Rolls Royce. Os japoneses da Mitsubishi farão o fornecimento para as usinas Rio-Gen e Ibirité, em Minas Gerais. As térmicas Carioba, em São Paulo, Termonorte I e II terão máquinas da GE e a Siemens ficou com as usinas de Araucária, no Paraná, e de Cuiabá. O problema é que a capacidade destas onze térmicas juntas é de apenas 3.200 MW, muito abaixo dos 17 mil megawatts programados para entrar no sistema no período 2001/2004. E a lista de contratempos ainda não acabou. A repentina saída de Benedito Carraro da Secretaria Nacional de Energia, substituído pelo diretor de Engenharia da Eletrobrás, Xisto Vieira Filho, também jogou uma ducha de água gélida nos projetos. Carraro vinha tocando, praticamente sozinho, todas as negociações com os grupos internacionais. Conhecia cada entrelinha dos acordos que estavam sendo costurados e estava dando os últimos retoques nos contratos das térmicas que deverão - ou deveriam - entrar em operação já no próximo ano. Xisto pegou o bonde andando e justo no momento em que surgiram ameaças de todos os lados para a implementação do Programa. Sem o mesmo trânsito do antecessor junto aos grupos internacionais, o novo secretário nacional de Energia vai precisar de tempo para retomar o antigo ritmo de negociações. O mesmo tempo do qual o governo, pressionado pelos riscos de escassez de energia, não dispõe.

relatório nº 1449-7/08/2000

 

 

 

• A americana Peack In-vestment estuda uma emissão de debêntures conversíveis da Al-canorte.

Parceria atômica

Após uma arrastada negociação, foi finalmente fechado o contrato entre a Marinha e a Indústrias Nucleares Brasileiras (INB). O acordo prevê a produção de urânio enriquecido através da ultracentrifugação. Para isso, será construída uma fábrica em um terreno do INB em Resende, no Rio de Janeiro.

• Depois que passou a colecionar empresas no exterior, Jorge Gerdau não pára de ser procurado por bancos com mandatos de venda de siderúrgicas. O mais recente envolveria uma minimill nos Estados Unidos. Porém, neste momento, o grupo quer usar o seu caixa para amortizar dívidas, a não ser que apareça uma oportunidade de ouro.

Barril de dólares

A PDVSA - maior petroleira da América Latina - está negociando com a Repsol/YPF um grande acordo de investimentos no Brasil, na Ar-gentina e na própria Venezuela. O pacote inclui exploração e produção, refino, distribuição e comercialização.

À beira do altar

A Kimberly-Clark estaria tentando transformar a parceria que mantém com a Klabin na produção de tissue em um compromisso muito mais sério e duradouro: a entrada no capital da própria companhia.

•Troca-troca à vista na presidência de uma das maiores empreiteiras do Brasil, com negócios em energia elétrica e saneamento.

Telefrustração

A Williams terá que procurar outro parceiro para os leilões da Banda C. Os americanos pretendiam formar um consórcio com a SBC, mas o grupo já fechou com a Telmex e a Bell Canada.

• Após um período de inapetência, o Sonae está prestes a reiniciar a sua saga aquisitiva. A retomada se daria em terras mineiras.

Gás no sertão

A alemã PLE tem planos de investir na construção de um gasoduto na Região Nordeste. O projeto teria ainda a participação de outros grupos europeus.

Efeito dominó

Acionista da Global Telecom, a DDI aguarda apenas a entrada da Portugal Telecom no capital da empresa para tocar outros investimentos no país. Junto com a Inepar, sua sócia na Global, pretende comprar participações em operadoras de celular no Rio Grande do Sul e Sudeste do país. Estes novos passos poderão ocorrer já em companhia da KDD e da DDO, com quem a DDI está negociando uma fusão.

Fim da fila

Assim como nove entre dez fundos de investimento, o americano Fidelity escolheu a Internet como o seu futuro alvo no país. A intenção é entrar em empresas recém-criadas. No Brasil, o fundo já é acionista da Metrored, operadora de linhas de transmissão.