Donald Trump joga suas fichas milionárias no pontocom.br

Em tempos de risco crescente de déficits comerciais e de relançamento do bordão "exportar é o que importa", uma pendência entre o Banco Central e o BNDES ameaça esfarrapar ainda mais o que, pelo visto, já está bastante roto: o resultado da balança para este ano. A causa do imbróglio é uma lista de financiamentos à exportação, no valor aproximado de US$ 1 bilhão, que está retida na agência de fomento por determinação do BC. A relação inclui operações que seriam feitas através de CCRs. O problema começou em 11 de maio, quando o diretor da Área Internacional do BC, Daniel Gleizer, assinou a Circular nº 2.982, alterando as regras para a utilização de CCRs. Com as novas normas, as operações de crédito, através deste instrumento, ficaram limitadas a US$ 100 mil, com exceção dos financiamentos aprovados pelo Comitê de Crédito às Exportações até 3 de maio. Ocorre que o BNDES já havia emitido, até este prazo, uma nova leva de cartas de intenção de financiamento através de CCRs. A instituição vem tentando junto ao BC a liberação destes contratos, mas tem levado um chá-de-cadeira. O maior complicador é que o prazo da maioria das operações está expirando. À medida que o BC não dá o sinal verde, das duas uma: ou as empresas saem em busca de outras formas de financiamento - e, convenhamos, o momento é de liquidez bissexta - ou perderão os contratos. No BNDES já se calcula que há riscos de cancelamento de um volume de negócios capaz de desfalcar a balança comercial em cerca de US$ 400 milhões. No início de junho, a diretoria do BNDESExim enviou uma carta ao Banco Central em que apresentava a relação de empresas com quem já estava comprometida e solicitava a liberação das operações. O BC demorou a responder e, quando o fez, solicitou ao BNDES que revisasse a listagem inicial e fizesse uma espécie de "Escolha de Sofia", cortando uma saraivada de contratos. A agência de fomento atendeu à exigência, peneirou drasticamente a relação de financiamentos e remeteu a nova lista para o Banco Central, mas até agora nada. O máximo com que a instituição teria acenado foi um prazo até outubro para o seu veredicto. Pode ser tarde demais. Daqui a dois meses, a maioria dos contratos de exportação acertados pelas empresas brasileiras já terá caducado. Para se ter uma idéia do tamanho do abacaxi, há um grupo de empreiteiras, com um pacote de exportação de máquinas e serviços, que passaria dos US$ 500 milhões. Há também tradings que já contavam com financiamento para operações superiores a US$ 80 milhões. Na verdade, o que estaria por trás de toda esta história é a rixa política entre a ala dos desenvolvimentistas e o bloco dos monetaristas. O Ministério do Desenvolvimento e, conseqüentemente, o BNDES, são ferrenhos defensores da utilização dos CCRs para o financiamento às exportações. Já o Ministério da Fazenda nunca viu esta modalidade de crédito com muita simpatia, em função das restrições que alguns organismos internacionais, como a OMC e até mesmo o próprio FMI, têm com relação aos CCRs. Com a queda-de-braço entre as duas facções, quem corre o risco de levar o maior safanão é a balança comercial.

relatório nº 1447-3/08/2000

 

 

 

Reza forte

A Previ estaria interessada em vender suas ações na Celesc. Vai precisar de um santo forte. O governo catarinense cogitou negociar uma parte da empresa, mas não apareceu ninguém disposto a ter apenas uma fatia minoritária.

• Tem uma fitalhada no affair fiscal entre o Leão e o Grupo Ipiranga.

Hora H

A Telefónica fez uma oferta à NTT pelas sua parte na Tele Sudeste Celular. O dote caiu dos céus, já que os japoneses estariam mesmo interessados em sair do negócio.

Terceira via

Depois de fertilizantes e alumínio, a Nörsk Hydro vai investir agora em geração de energia no país.

Anbidestro

O futuro presidente da Anbid, o economista Edmar Bacha, do BBA, entra com a missão de usar a tribuna da entidade para ajudar na minirevolução que o governo pretende fazer no mercado de capitais.

• O grupo argentino Exxel está decidido a comprar uma fábrica de pães no país.

Torneira fechada

A demora para a privatização das empresas de saneamento afugentou a espanhola Ondagua. A empresa desmontou a equipe que estava analisando as empresas da região Nordeste

Papel timbrado

O Ministério da Defesa recebeu a primeira proposta oficial para a substituição dos aviões militares. A francesa Dassault ofereceu o Mirage-2000 e garantiu financiar a compra de até 20 aeronaves.

• Se fechar com um determinado fundo de investimento americano, a Kerr McGee entra nos próximos leilões de distribuidoras de gás.

A Reliant já avisou à EDF que não tem pressa em vender a sua participação na Light. Aceita inclusive ofertas de outros sócios.

O governo está desistindo de vender de forma pulverizada o capital da Chesf. Mas a idéia de dividir a empresa está mantida.

 

 

 

 

 

 

 

 

Grupo Rede prepara sua próxima pescaria

Mato Grosso, Pará, Tocantins... Depois de promover um arrastão na primeira leva de leilões das distribuidoras elétricas, o Grupo Rede já definiu a sua próxima parada: Rondônia. A companhia promete entrar com tudo na privatização da Ceron. Isso porque a empresa é vital para o seu planejamento. Com a aquisição, a Rede controlaria quatro distribuidoras de energia em estados contíguos - as outras três são Cemat, Celpa e Celtins - e poderia juntar todas estas empresas em uma única companhia. Some-se a isto os ganhos de escala que o grupo teria, sobretudo com o futuro mercado livre de energia, em que poderia vender para um mesmo cliente corporativo instalado em mais de um estado. O fôlego financeiro para o leilão deve ser garantido por uma parceria com a CSW, que já é sua sócia na Denerge - espécie de sub-holding da Rede. Mas nem só de distribuição vivem os investimentos do Grupo Rede. A companhia também resolveu apostar no setor de geração. Hoje, produz irrisó-rios 3% da energia que distribui. O target é chegar a 45%. Para isto, já pediu autorização da Aneel para construir uma série de hidrelétricas nos estados em que opera. Além disso, entrou, ao lado da EDP, da Celb, leia-se Cataguazes-Leopoldina, e da distribuidora Paulistinha, na construção da Usina Luís Eduardo Magalhães, em Tocantins, um projeto orçado em cerca de R$ 1 bilhão.