Bell South quer reger sozinha
a Banda B de São Paulo

O que o edital de privatização da Banda B separou, a Bell South está cada vez mais perto de unir. Controladora da BCP, operadora da Grande São Paulo, a empresa americana está negociando a compra dos 49% da Telia no capital da Tess, responsável pela Banda B no interior do estado. Trata-se de um daqueles casos em que se junta a fome com a vontade de comer. Não é de hoje que a Bell South sonha em agrupar as duas concessões em uma única holding. A Telia, por sua vez, diante dos sucessivos desentendimentos societários, há tempos vem pensando em sair da Tess. Posteriormente, a Bell South deve partir também para a compra das participações da Algar e da Eriline, até porque o grupo não quer herdar as desavenças que tanto têm atrapalhado a vida da Tess. O negócio daria, logo na partida, origem a uma companhia com faturamento anual superior a R$ 2 bilhões e cerca de dois milhões de clientes. E mais: capaz de ameaçar o poderio da Telesp Celular, que opera em todo o território paulista. A nova empresa viria ao mundo com quase 40% do mercado no estado e com promessa de investir pesado no interior, onde notadamente a diferença a favor da Telesp é maior. Mas será que a Anatel permitiria que o mapa da Banda B em São Paulo, cuidadosamente desenhado para impedir um mesmo operador no interior e na capital, fosse virado de ponta-cabeça? É justamente a pergunta que a Bell South já teria feito à agência, através de uma consulta informal. E a resposta não poderia ter sido mais animadora. São grandes as chances da norma ser revista, o que possibilitaria um único controlador nas duas empresas antes de 2003, prazo originalmente estabelecido para a alforria societária. A Anatel sabe, mais do que ninguém, que, a exemplo da Tess, há uma fila de investidores dispostos a cair fora das empresas de telefonia, o que justifica a flexibilização das regras do jogo. Com isso, o caminho estaria escancarado para a Bell South fechar negócio com a Telia.

relatório nº 1446-2/08/2000

 

 

 

Santo de casa

Os planos expansionistas da Ripasa ganharam um aliado e tanto. A BNDESPar, sócia da empresa, teria sinalizado que entra com parte dos recursos para tocar o projeto.

• O fechamento de capital da Pirelli Cabos é o primeiro ato de algo bem maior: um acordo com um grupo de transmissão de dados e voz, que incluiria troca de ações.

Mesa-redonda

A próxima jogada da ISL, que já fechou contratos de parceria com o Flamengo e o Grêmio, não se dará dentro das quatro linhas. A empresa suíça pretende criar um canal de esportes por assinatura.

Isca tributária

A Ford resolveu acelerar a formação do séquito de fornecedores que atenderão à sua futura fábrica na Bahia. Um pacote de incentivos fiscais, generosamente ofertado pelo governo baiano, será a isca usada pela montadora para atrair os futuros parceiros.

Futuro sem fio

Maior fabricante nacional de centrais PABX e telefones fixos, a Intelbrás quer entrar no mercado de celulares. Está conversando com alguns grupos internacionais, de olho em uma joint venture, na qual teria participação minoritária.

• A coreana Dongkuk teria sondado a Usiminas sobre a possibilidade de um acordo operacional com a Cosipa. Ficou falando sozinha.

Com todo gás

O banco americano Taylor-Dejongh, que já financia vários projetos em geração de energia no país, está agora interessado em entrar na construção de gasodutos e na ampliação de refinarias.

• O fundo americano Hicks, Muse está trazendo para o Brasil seu braço de venture capital. O alvo é Internet, Internet e... Internet.

• A Toront Transit Comission e a Ansaldo-Breda devem entrar juntas nas licitações para o metrô em Recife e em Fortaleza.

• A Petrobras negocia um acordo na área de distribuição de gás com a CEG, nos mesmos moldes do acertado com a Comgás.

 

 

 

 

 

 

 

 

FHC apela para o social target

Fez sucesso no Palácio do Planalto a proposta do economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas, em trabalho que está sendo realizado - pasmem - para o Ministério da Fazenda sobre um sistema de metas sociais. A idéia é um derivativo do inflation target, com todas as ressalvas em relação ao seu aplicativo. Seu objetivo é amplamente meritório, ou seja, estabelecer um sistema de metas de redução da pobreza e outros indicadores sociais que compõem a cesta do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, no qual, aliás, o Brasil está classificado em um dos últimos e desonrosos lugares. O que chama a atenção do governo, contudo, é o ga-nho político da medida e a rara oportunidade para sua implementação. Por um lado, a economia deverá embicar para cima - ninguém tem dúvida disso entre os conjunturalistas da Fazenda e do BC. Por outro, o impacto do aumento de arrecadação tributária decorrente da expansão prevista da atividade juntamente com a redução da dívida pública via queda dos juros configuram um cenário de rara oportunidade para realização do gasto com o social. O resultado fiscal projetado, portanto, permite a despesa adicional sem qualquer mancha no acordo com o FMI ou mesmo sinalização para as agências de rating de que estaria se iniciando, antecipadamente, o período de gastança com a sucessão presidencial. O objetivo é ambicioso. Por exemplo: FHC vai à televisão e anuncia que, depois da inflação, o Brasil vai acabar com a miséria absoluta. Mostra os números do novo orçamento social. E apresenta o programa de metas. No final, fica claro que a erradicação da pobreza depende da continuidade do seu governo, seja quem for o candidato.